segunda-feira, 20 de abril de 2015

Pra não dizer que não falei da Taylor Swift

Em 2014, assisti muita gente se converter ao fã-clube da nossa querida quebradora de recordes e voz dos nossos corações despedaçados, Taylor Swift. Foi o ano em que ela cantou que haters gonna hate de qualquer jeito e, curiosamente, depois disso houve uma grande conversão em massa de haters, o que deixou feliz essa pessoa que vem há anos defendendo a moça como se ela precisasse mesmo disso.

Também foi o ano em que a Analu resolveu postar seu top 20 25 de canções da nossa querida Taytay, e, porque eu achei o post dela divertidíssimo, vim aqui descaradamente roubar a ideia, já que também acho super necessário falar um pouquinho sobre o assunto. Quatro meses depois, mas tudo bem. Porque Taylor recentemente contou o que tem acontecido na vida dela, e embora eu quisesse muito não entender pelo que ela está passando, eu entendi. Parece besta, mas ouvir o 1989 me ajudou bastante, porque ela tem uma pegada tão boa que é impossível ouvir e continuar triste. Fica aqui minha singela homenagem.


Vamos por ordem de lançamento:

1) Our Song: A primeira que escutei. É uma das melhores representantes da fase country, da época de menos romances devastadores e mais de histórias bonitinhas e banjos, é a Taylor contando uma história (melhor tipo de letra escrita por ela) e é a Taylor esperta quando diz, nos últimos versos, que pegou uma caneta e um guardanapo velho e escreveu a música deles (essa mesma que você está ouvindo, ha).

2) Fifteen: Uma daquelas letras que parecem tão fáceis de relacionar com nós mesmas, apesar de ela claramente estar cantando para o próprio eu de 15 anos. Gosto desse violãozinho, gosto de versos que soam muito bem tipo and your mom is waiting up/ and you're thinking he's the one/ and you're dancing 'round the room when the night ends, mas gosto especialmente quando ela muda para a primeira pessoa e diz que back then I swore I was gonna marry him someday, but I realized some bigger dreams of mine porque, afinal, nas sua vida você vai fazer coisas maiores do que namorar o cara do time de futebol, e a Taylor já sabia disso.


3) You Belong With Me: Também era bem comum nas letras da Taylor ver ela se colocando como a outsider, aquela que fica nas arquibancadas, e talvez por isso essa sempre foi uma das músicas dela com a qual é mais fácil de se identificar. Essa também é uma das músicas que fizeram muita gente detestar nossa ex-country favorita por causa da oposição que ela faz entre uma ~nice girl e a namorada cheerleader de saias curtas e saltos altos que não entende o garoto. E as críticas não deixam de ter uma certa razão, mas está tudo perdoado por causa do desespero no why can't you seeee-eee/ you belong with meeeee-ee.

4) Sparks Fly: Pessoalmente, acho que essa música abriria muito melhor o Speak Now (tanto que era ela que abria os shows dessa tour), mas o que eu sei dessas coisas? Nada. Enfim. Impossível ouvir e não ficar cantarolando o poderoso drop everything now, e adoro muito todas as metáforas para descrever essa atração física poderosíssima.

5) Speak Now: Taylor storyteller novamente, e tão bem que dá pra visualizar o clipe prontinho, apesar de ele não existir (mas era praticamente isso que acontecia quando ela cantava essa música nos shows, para minha alegria). Tem umas descrições bem bacanas tipo the organ starts to play a song/ that sounds like a death march, e esses sheEeEeeeE floats down the aisle e but IIiIii knoOoOw maravilhosos.


6) Dear John: Eu não gostava muito desse chororô de quase sete minutos, numa das raras ocasiões em que tem até o nome do sujeito pra não deixar dúvidas. Mas foi depois que eu parei pra prestar atenção nessa guitarra ao fundo que podia estar em uma música do álbum mais relevante do John Mayer até hoje, o Continuum, que eu ganhei um apreço enorme por essa grande novela mexicana em forma de canção. Taylor é muito, muito esperta. (Momento #revelação: eu adoro o John Mayer, ok, gente? Perdão).

7) Enchanted: Tenho comigo que essa é uma das melhores letras que a Taylor já escreveu, e não acho que vá perder esse título tão cedo. Enchanted descreve perfeitamente a sensação não de amor a primeira vista porque isso não é coisa que haja (por favor), mas desse encantamento que às vezes nos acontece, que nos deixa dancing around all alone e pedindo pra ter vivido só a primeira página, e não o fim da história, e repetindo os versos suplicantes: please don't be in love with someone else.

8) Long Live: Melhor jeito de terminar um álbum. Essa letra é tão exageradamente incrível, uma homenagem bem bonita à própria história, ao próprio sucesso, e às pessoas que fizeram (e fazem!) parte dessa caminhada junto com ela. Traz imagens lindas, tipo you held your head like a hero/ on a history book page e cause for a moment a band of thieves / in ripped up jeans got to rule the world e acho lindo, lindo, lindo quando Taylor pede que o interlocutor fale dela para os filhos quando, um dia, eles perguntarem.


9) State of Grace: Vou confessar para vocês que apesar de eu adorar a vibe pop do 1989 (o pop do Red não é dos meus favoritos, apesar do álbum em si ser o que eu mais gosto no conjunto), queria que Taylor fizesse um álbum na vibe-state-of-grace. Com a bateria, e a guitarra e essa vontade de berrar junto com ela que I'll neeeeveeeer be the saaaaa-aaa-me. Sério, tem uma vertente maravilhosa da música para ela seguir aqui.

10) All Too Well: Seria essa A melhor letra da Taylor? Essa é uma das histórias sobre a própria vida que ela conta da maneira mais honesta, quase como se realmente estivesse escrevendo no diário. É maravilhoso como começa devagar, e vai introduzindo os vários instrumentos (e a fase de encantamento do relacionamento, cantando no carro e dançando sob a luz da geladeira) e vai ganhando dramaticidade até chegar nos versos mais incríveis: and you call me up again/ just to break me like a promise/ so casually cruel/ in the name of being honest. É tão completamente cheia de sentimentos tão bem descritos. Taylor escrevendo no diário é a melhor Taylor.

11) 22: O hino da nossa geração, ou pelo menos da gente que escreve da nossa geração. Nada faz tanto sentido quanto we're happy free confused and lonely at the same time (ou in the best way), o que é miserable and magical. Vinte e dois parece uma idade tão aleatória para virar tema de uma canção, mas agora já é ícone, né? (E a Taylor outsider ataca novamente quando ela fala que aquele lugar está cheio demais com too many cool kids e a própria diz no fundo: 'who's Taylor Swift anyway?')

12) Holy Ground: Acho um absurdo que essa música não seja universalmente adorada. O ritmo é uma delícia e a letra também é. Para variar, adoro muito as imagens, do first-glance feeling in New York time e spinning like a girl in a brand new dress e the story's got dust on every page e, claro, o maravilhoso tonight I'm gonna dance/ for all that we've been through.

13) Blank Space: Essa música onipresente e onipotente é a coisa mais maravilhosa do mundo. Taylor comentou que quis escrever da perspectiva dessa pessoa que a mídia insiste em dizer que ela é, e saiu uma coisa tão fantástica que o tumblr começou a encontrar parallels que fazem todo o sentido com a Amy, de Gone Girl. Tudo certo aqui, tudo.


14) Style: Style foi a primeira que eu amei com todas as forças no 1989. Eu sempre falo das letras, porque no fim das contas eu sou uma pessoa das palavras, mas acho que nesse caso o que eu amo mesmo é a batida. Mas obviamente adoro essa referência descarada no título e o fato de ela usar moda&estilo e o we never go out of style para falar de um relacionamento que vai e volta.

15) Shake It Off: Eu não acredito até hoje que, quando ouvi pela primeira vez, só consegui pensar que não era isso que eu queria. Hoje é quase impossível ouvir Shake it off e ficar parada, e não querer cantar junto, e não abrir um sorriso. É um divertidíssimo tapa na cara dos haters e da mídia que fica controlando a vida dela, é animada, tem instrumentos de sopro maravilhosos no fundo e ainda nos presenteou com a maravilhosa resposta de que haters gonna hate hate hate hate hate e já estou esperando pra poder cantar/berrar isso ao vivo (se essa tour também não vier pro Brasil eu desisto).

16) New Romantics: Eu precisei incluir a décima sexta música no meu top 15 porque como deixar New Romantics de fora? Como explicar Taylor deixando esse trabalho com toda a cara do sucesso apenas como faixa bônus? Gruda demais na cabeça, tem versos maravilhosos (baby I could build a castle/ out of all the bricks they threw at me e we are too busy dancing/ to get knocked off our feet e everyday is like a battle/ but every night with us is like a dream e... vocês entenderam) e é uma coisa maravilhosa para dançar e ficar feliz.

Chegamos ao fim, com muita dor por deixar de fora coisas maravilhosas tipo Treacherous, Hey Stephen, The Story of Us e Wildest Dreams, mas a vida é feita de escolhas. Parabéns a todo mundo que chegou até aqui. Taylor aprova:


segunda-feira, 13 de abril de 2015

O que eu andei vendo em março

Depois do post passado, estamos de volta à programação normal (pra um blog pessoal, esse aqui consegue ser bem impessoal, né?). Espero que vocês gostem desses comentários sobre filmes, porque são os mais fáceis de começar e terminar (inclusive estou pensando em expandir para "o que andei lendo" - vamos analisar).

Disse no post sobre os filmes de fevereiro que queria tentar manter o ritmo, mas que duvidava que isso fosse acontecer. E eu obviamente estava certa (geralmente diminui até eu não ver nada). Março começou e terminou com dois filmes bem ruins, mas, em compensação, tiveram alguns ótimos e eu queria muito falar deles. Vamos à lista, então?

Versos de um Crime (John Krokidas, 2013): Seguimos na batalha que é acompanhar a carreira do Dan Radcliffe. Em relação a What If, esse aqui é bem mais interessante, ou pelo menos o personagem dele é. Mas eu deveria estar vendo um filme sobre os escritores da geração beat e sua new vision (zzzz) e seus comentários sobre sonetos e suas pranks na biblioteca? Provavelmente não. Mesmo assim, é uma história boa, especialmente a do Lucien Carr. Pena que a montagem de algumas cenas importantes - tipo a do assassinato - foi tão brega. Enfim, né, gente. Vocês gostam de Jack Kerouac e de Allen Ginsberg? Preguiça. (Beijo pro Dan, que atuou bem bonitinho aqui) (Fernanda, a vergonha entre os estudantes de literatura) (prefiro coisa velha, desculpa).

Palácio das Ilusões (Patricia Rozema, 1999): Mansfield Park parece ser o romance mais universalmente detestado da Jane Austen, mas eu confesso que gosto bastante. Essa adaptação, como geralmente acontece com filmes de época, é bonita e é agradável. Fiquei com a impressão de que transformaram a Fanny Price numa protagonista menos inerte e molenga, e não posso reclamar disso. Mas o filme é meio arrastado, e pareceu durar bem mais do que duas horas. E, claro, essa adaptação é meio infame porque duas pessoas são pegas transando, e um caderno com desenhos obscenos é mostrado. O que, convenhamos, é meio estranho em uma adaptação de Jane Austen.

Minhas Tardes com Margueritte (Jean Becker, 2010): É tão bom sair do esquema dos filmes americanos de vez em quando. É como um sopro de ar fresco. Que filme mais bonitinho e agradável e amor. Terminei com o coração aquecido, dei uma choradinha básica e adorei. Bonita homenagem às amizades não convencionais, às pessoas que conseguem enxergar nos outros muito mais do que eles enxergam em si mesmos, e, é claro, às palavras e aos livros. Vejam.


A Duquesa (Saul Dibb, 2008): Vocês sabem que eu adoro filmes de época, obviamente, e eu adoro que a Keira Knightley está sempre nos filmes de época, porque ela é ótima. Assim como a personagem dela nesse filme, que fez tudo que uma mulher decente da época não deveria fazer, dando um belo tapa na cara da sociedade e do marido horrendo dela. Mas ainda que a personagem seja excelente e que o filme seja corretinho e tudo mais (e bonito!) e que o Ralph Fiennes seja excelente, nada me empolgou muito e, não sei, queria algo a mais?

O Abutre (Dan Gilroy, 2014): Eu estava querendo muito assistir a esse filme, e agora estou arrependida por não ter ido ver no cinema, porque que filme! Cadê a indicação ao Oscar, especialmente do Jake Gyllenhaal, que está maravilhoso? (Só mais um dia na vida, com a Academia perdendo um pouquinho mais do meu respeito). Eu amo histórias que colocam o jornalismo em foco, e essa aqui é ainda melhor por mostrar bem cruamente os caminhos do jornalismo sensacionalista, que é bem nojento. Toda a tensão no filme é ótima, muito bem construída, tem cenas poderosíssimas e um protagonista bem marcante com toda a sua falta de limites e humanidade. Vejam, sério.

Chef (Jon Favreau, 2014): Descoberta do Netflix pela qual eu me apaixonei. É um filme bem simples e nada inovador, mas ele acerta tanto no que se propõe a fazer que não tem como não adorar. Acerta na construção das desilusões e frustrações do protagonista, acerta na construção da relação de pai e filho, acerta na integração das redes sociais ao enredo, e acerta na comida, óbvio. Acho meio impossível terminar esse filme sem querer: 1) um daqueles sanduíches, por favor; 2) viajar os Estados Unidos num trailer (numa ~food truck); 3) querer ir atrás da trilha sonora. Excelente filme de domingo.

Insurgente (Robert Schwentke, 2015): Gastei dez reais pra ver um filme que estava sendo detonado e que adapta um livro do qual eu não gostei? Gastei, sim, e nem consegui me arrepender. Março teve alguns dias complicados, e esse filme foi uma das coisas que me distraíram completamente quando eu estava precisando. Ah, vai, gente, a história é bacaninha, apesar do final meio... Er, meio nada a ver. As cenas de ação são boas. A Shailene Woodley é bem talentosa. O elenco de apoio tem um pessoal bem competente (nós vamos falar sobre como Miles Teller é bom? Eu nem lembrava que o personagem dele existia, e ele acabou parecendo um ótimo personagem). Teve efeitos bonitos. E achei curioso que, apesar de eu ter lido o livro, não lembrava de nada mesmo - então foi tudo uma surpresa. É sempre mais bacana assistir sem saber o que vem depois.

Namoro ou Liberdade (Tom Gormican, 2014): Primeiro que se passa no outono nova-iorquino, que é bem bonito. Segundo que eu olho pro Michael B. Jordan e só consigo lembrar de:

 

Saudades Vince You changed my life, coach Howard, saudades Friday Night Lights. Ok, acabou o merchan de FNL (desculpa, risos), vamos falar sobre o filme, né? Bem ruim. Assim, bem ruim mesmo. Pior do que isso é que eu ri de várias das piadas bestas, naquele humor bem hollywoodiano e sem esforço nenhum. A notícia boa é que o Zac Efron é bem bonito, e os três atores principais têm carisma suficiente pra sustentar seus personagens meia-boca. Esse filme é um grande rom-com meets bro-movie, e eu sinceramente preferiria só a parte da rom-com.

A conclusão do mês é que preciso ver filmes melhores. Aposto que vocês concordam.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Abril, aniversário e aproveitar o momento

Abril é sempre um mês estranho. É estranho porque tudo já voltou ao normal, porque a chegada dele marca o fim do primeiro trimestre - em que o ano ainda passa aquela impressão de ser novo. Abril é estranho porque nele está contido o dia em que eu nasci, e eu passo a maior parte dos meus dias pré-aniversário numa angústia existencial que só acaba quando o relógio marca zero horas e zero minutos do dia 13.

Depois que eu completei dezoito anos, mas especialmente depois que eu completei vinte e entrei na terceira década de existência, eu comecei a associar o meu desagrado com o meu aniversário com a ideia de que eu não estou fazendo nada de útil com a minha vida, de que eu não estou correspondendo às expectativas que muita gente largou sobre mim conforme eu ia crescendo, que eu não estou fazendo jus ao potencial que um dia enxergaram em mim. É o mesmo tipo de sentimento despertado pela comemoração do ano novo. Porque são duas datas que completam ciclos. Não importa que isso seja relativo - por exemplo, por que eu não me pergunto o que eu estava fazendo no dia 6 de abril de 2014, 365 dias atrás? -, porque outras datas não têm o mesmo peso e significado cultural que o réveillon ou o nosso aniversário possuem. São duas datas propícias para essas reflexões, porque numa delas a música te pergunta "and what have you done?" e porque na outra, olha só, você está um ano mais velho e é nesse momento que você precisa lidar com o fato.

Essas ansiedades me consomem um pouquinho ao longo do mês de abril de um jeito que não acontece no resto do ano. Mas essas ansiedades, por mais verdadeiras que sejam, chegaram há pouco tempo. A minha relação estranha com o meu aniversário, não. Não me lembro qual foi a última vez em que eu comemorei essa data por outro motivo que não fossem os meus pais ou as táticas de convencimento das minhas amigas. Ou só para não deixar passar em branco. Como é estranha essa Fernanda, não? - pois é. E eu juro que, se conseguisse, não seria assim, pelo menos não nesse aspecto.

Sei que não tem nada de muito especial em receber o aniversário assim, desse modo agridoce. Se a norma é, aparentemente, estar radiante por causa dele, tem dezenas de pessoas por aí que sofrem de birthday blues - mas isso, na verdade, também não é algo com que eu me identifico totalmente. Eu não me sinto pra baixo ou triste no meu aniversário ou nos dias que o antecedem. É só uma sensação esquisita. Uma sensação de que eu-não-estou-sentindo-o-que-devia-estar-sentindo. Se é que isso faz sentido.


Words of wisdom, por Roger Sterling | Crédito: x

Eu não me lembro quando foi que o Roger Sterling, um personagem de Mad Men com quem imagino que ninguém faça muita questão de se identificar, disse essas palavras espertas: "Ano Novo. É como um aniversário extra. É para você assoprar a vela e desejar alguma coisa. Eu nem sei o que é". A verdade é que é isso, ainda que eu esteja admitindo aqui que a citação está sendo considerada completamente fora do contexto, que eu não lembro qual é. Mas a verdade é que eu também não acho que saiba o que essa coisa é, e que a véspera de ano novo é mesmo um segundo aniversário, e são duas datas com as quais eu não sei lidar muito bem porque eu não entendo. O Natal é para comer e estar com a família e até mesmo ouvir as piadas do pavê e as perguntas sobre os namorados, no plural. Mas e nessas outras datas, que são mais sobre você do que sobre comunhão ou sobre as pessoas que você ama?

Dia desses eu me peguei pensando na última cena de Boyhood, quando o Mason encontra uma nova namorada/BFF em potencial, que também gosta de um papo cabeça existencialista, e eles trocam sorrisos meio tímidos e fica implícito que estamos vendo alguma coisa acontecer. A garota é responsável pela fala que parece ter ficado mais famosa em todo filme, sobre como na verdade não somos nós que aproveitamos o momento, mas o momento que nos aproveita. Eu não tenho muita certeza do que foi que o Richard Linklater quis dizer com essa fala, especialmente porque o que segue não fez muito sentido. Mas, na minha interpretação, parece que o filme é exatamente sobre isso. Fico com a impressão de que o motivo por que tanta gente afirmou que nada acontece nele é que nada de extraordinário acontece, até porque o filme não mostra nenhum daqueles milestones da vida. Para mim, ele pareceu falar justamente daqueles momentos que de fato "nos aproveitam", ao invés daqueles que você sabe que deveriam ser importantes e que tenta com tanta força aproveitar.

Talvez esse seja o meu problema com o meu aniversário. Que não é de hoje. Essa obrigação de ~aproveitar o momento~ (yolo!1), de o dia ter que ser especial, de eu precisar assoprar as velhinhas e sentir alguma coisa que eu não sei o que é, é o avesso de um momento importante. É verdade que o dia costuma ser bom, que eu uso a desculpa de que é meu aniversário para ser pouco produtiva e não precisar lavar a louça, que os recadinhos e telefonemas de pessoas queridas me deixam feliz e que é bom ganhar uma sobremesa bem gordurosa de graça e estar com gente legal - amigos ou família, ou os dois. Mas os dias que antecedem... Ah, os dias que antecedem. Tão desnecessários, tão espero-estar-bem-ocupada-para-não-pensar-muito.

Mas, Fernanda, é importante porque é para comemorar o fato de você estar viva! - sim, hipotético leitor, é verdade. E acredite em mim quando eu digo que sou muito grata por estar aqui, com saúde e com tudo o que eu preciso para ir atrás das coisas que eu quero. Ainda mais num ano que começou me lembrando que, não, nenhum de nós está cem por cento seguro aqui, e que nossos momentos por aqui são todos transitórios. Mas essa celebração do fato de se estar vivo sempre vai acontecer de um jeito mais espontâneo e, o que é mais importante, verdadeiro, naqueles momentos que nos dominam por completo, não importa o quão absolutamente comuns eles possam ser. Eu prefiro que o momento me aproveite. Mas, ao mesmo tempo, eu sei que ele não vai conseguir se for recebido por uma cara amarrada. É por isso que esse ano, depois de abrir o coração nessa plataforma muito pública, ainda que pouco relevante, eu vou fazer aquilo que eu sempre faço: tentar receber o dia 12 de bom grado.


*Arcade Fire começa a tocar subitamente*