quarta-feira, 30 de julho de 2014

Filmes que eu amo rever

O último filme que assisti foi A culpa é das estrelas, no comecinho de junho. Depois disso veio aquele evento que ocupou todas as minhas tardes livres por um mês; daí, precisei (re)aprender a assistir outras coisas e comecei a ver Friday Night Lights: contra todas as previsões, estou amando essa série sobre futebol americano, quem diria. Depois fui viajar. Nesse meio tempo eu, que via uns oito filmes num mês desanimado, não assisti a nenhum.

Foi refletindo sobre isso, e sobre como eu poderia voltar a ser a pessoa empolgada com cinema que já fui (até o mês passado, quer dizer), que eu resolvi falar um pouquinho sobre os filmes que eu estou sempre revendo. Passo por fases: às vezes só quero ver comédia romântica leve e feliz, às vezes quero ver muito drama, às vezes thriller de disparar o coração, às vezes filmes cheios de gente contemplativa e solitária...

Mas a verdade é que sempre arranjo um tempinho pra rever esses:

1) O amor não tira férias (Nancy Meyers, 2006)

Até citar esse filme no meu perfil ali na lateral do blog eu cito. Esse cai naquela categoria das comédias românticas leves e felizes, e é tão, tão amor. São dois romances paralelos nas férias de Natal/Ano Novo: uma em Los Angeles, a outra numa cidadezinha nos arredores de Londres. E eu adoro as duas. Mas o que eu mais amo é a história de amizade que surge entre a personagem da Kate Winslet e o do Eli Wallach (RIP): uma jovem mulher vivendo um amor não-correspondido e um senhor idoso roteirista de cinema. Os dois ensinam lições maravilhosas um ao outro e é tão bacana, tão bonito! Pra completar a coisa toda tem: Inglaterra no inverno, Jude Law, filhinhas fofas, trilha sonora do Hans Zimmer, personagem que compõe trilhas sonoras pro cinema, Natal... Revejo todo fim de ano.

2) Quase famosos (Cameron Crowe, 2000)

Provavelmente meu filme favorito do Cameron Crowe, Quase famosos é o tipo de história que eu gostaria de ter vivido, ao menos em partes. Quer dizer, o protagonista é um garoto de quinze anos que sai na estrada junto a uma banda em ascensão pra escrever um perfil dela pra Rolling Stone. Claro que a coisa não é só alegria, mas se eu jornalista fosse (e eu bem que tentei, quem lembra?), amaria fazer esse tipo de coisa. É um filme bem legal com muita música, muita estrada, muito amor à música, muitos bons diálogos e uma atmosfera bacana. Confesso que já teria comprado esse DVD há séculos se ele não tivesse sido lançado no Brasil com aquela capa horrorosa ao invés dessa com os óculos escuros.

3) Sociedade dos poetas mortos (Peter Weir, 1989)

Eu gosto dessas histórias sobre professores inspiradores que chegam numa escola pra mudar a vida dos seus alunos porque eu acho que muitas vezes é isso que nossos professores fazem. Talvez não algo tão dramático quanto revolucionar nossas vidas, mas pelo menos ajudar a abrir nossa mente e fazer com que nos tornemos pessoas melhores. Acho esse filme muito interessante por trazer toda essa exaltação às palavras, à poesia (eu quase não leio poesia por prazer, mas estudo Letras e sei muito bem o quanto é comum que “medicina, direito, negócios, engenharia”, que de fato são importantes e necessárias pro mundo, sejam muito mais valorizadas do que a arte, do que as palavras, que são coisas tão essenciais pra mim). E, é claro, também é bacana por exaltar também o pensamento independente, a vontade de pensar sobre as coisas, o não querer se resignar às “vidas de desespero silencioso”. Tem momentos bem pesados e bem tristes, mas a verdade é que sempre termino de rever pensando “que filme incrível” e emocionada por motivos de: “O Captain! My Captain!”

4) Orgulho e preconceito (Joe Wright, 2005)

Sou super fã do Joe Wright, que sempre faz filmes visualmente interessantes e bonitos, mesmo aqueles que não são muito meu tipo de coisa. Acho que Desejo e reparação é um filme bem melhor do que O&P, mas porque ele é muito doloroso, revejo bem menos do que esse. É verdade que muitos estudiosos/fãs de Jane Austen não gostam dessa adaptação, mas eu admiro bastante. Gosto do tom mais jovem da narrativa, acho a interpretação da Keira fantástica e gosto da leitura que esse filme faz do Darcy. Além de tudo isso, é um filme de encher os olhos, tem aqueles planos longos lindos, a trilha maravilhosa do Dario Marianelli... E é aquele romance que todo mundo ama.

5) Across the universe (Julie Taymor, 2007)

Eu adoro esse musical, já que ele traz ótimas interpretações de músicas que eu adoro também. Quer dizer, é um musical com canções dos Beatles! Não sou super fã da banda nem nada, tenho uma preguiça absurda dos fãs “real music!!!” que existem por aí hoje em dia, mas gosto da música deles e gostei de como foram inseridas aqui. Os números musicais são ótimos e a historinha de fundo, apesar de não ser nada de outro mundo, é bem legal também, como costumam ser essas narrativas que falam dos acontecimentos dos anos sessenta/setenta nos Estados Unidos.

6) Legalmente loira (Robert Luketic, 2001)

Quando assisti a esse filme pela primeira vez, não estava levando muito a sério. Mas a verdade é que acho uma comédia fantástica. Nada me deixa mais contente do que ter uma protagonista patricinha, loira, membro de uma irmandade, que gosta de festa, de rosa, de passear com o chihuahua... Mas que é, sim, inteligente, autoconfiante e uma pessoa genuinamente ótima. Quebrando todos os estereótipos. O filme também não deixa de chamar atenção sobre todas as pessoas que julgam a Elle Woods justamente por ela ser a patricinha loira etc. E faz aquela oposição comum entre a patricinha e a menina estudiosa e “desarrumada”... só pra acabar com esse estereótipo também. E a resolução do caso é ótima! Lembro que esse filme até me deixou com uma pontinha de vontade de cursar direito, mas eu nunca seria Elle Woods e deixei pra lá.

7) Tudo acontece em Elizabethtown (Cameron Crowe, 2005)

Cameron Crowe é amor, gente. Eu acho tão esquisito que esse filme tenha sido tão mal recebido porque acho tão fantástico e faço questão de rever sempre que ligo a televisão e ele está passando. Porque é uma boa história, tem família, tem romance, tem fracasso e volta por cima mas sem ser superação inspiradora, é verdadeira e com sentimento. Eu sou simplesmente fascinada pela road trip que acontece nos minutos finais do filme e meu sonho é que um dia o mapa feito pro protagonista realiza-la seja publicado pra gente poder fazer a mesma viagem. Sério. A trilha sonora é ótima e eu sempre ouço no youtube. E tem passagens maravilhosas. Acho que uma das frases que eu mais amo nesse filme e que tenho vontade de tatuar na pele pra levar comigo é “sadness is easier because it’s surrender”. Ou o monólogo no final.

8) Penelope (Mark Palansky, 2006)

Filme amorzinho, simplesinho e sem grandes pretensões que brinca com os contos de fadas de um jeito bem legal. É tudo meio exagerado, mas contos de fadas são assim, não são? O aprendizado da Penelope é super legal de acompanhar e amo como (spoiler) é ela quem quebra a própria maldição e é quem realmente precisa se aceitar pra que isso aconteça. Acho que passa uma mensagem bem legal (mesmo que clichê) sobre se aceitar e gostar de si mesmo – que nunca é demais. A Christina Ricci está ótima. É tudo colorido e bonito. É o filme onde James McAvoy (celebrity crush eterna da pessoa que vos fala) está mais amor no mundo. Toca Hoppípolla nos créditos finais. Sei lá, não tem como não amar.

Tem vários outros filmes que caberiam nessa lista, acredito: Questão de tempo só não está ali porque ainda não tive a oportunidade de rever, mas já sei que vou fazer isso sempre; Feitiço do tempo, Curtindo a vida adoidado, Enquanto você dormia, Harry e Sally, Meia-noite em Paris... Tudo entra aí. Como deu pra perceber, pra eu rever toda hora o filme tem que levantar o espírito mesmo. Nada de muito forte pois não sei lidar com repetição dessas experiências, mesmo que valham a pena.

Gostaria muito que vocês me contassem quais são os filmes que vocês amam rever. Quem sabe assim eu não descubro mais histórias pra incluir nessa lista?

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Sobre amar viajar e odiar voar

Uma das coisas que mais amo nessa vida é viajar. Talvez porque sou extremamente (extremamente) apegada à rotina no dia a dia, já que é o jeito como eu consigo me organizar e dar conta do que é preciso fazer sem grandes momentos de estresse. E é quando estou viajando, quando estou de férias ou num momento de descanso, que eu me desapego completamente dela: esqueço que existe e não me importo nem um pouco de não estar seguindo nenhum tipo de planejamento mais específico.

A vista é maravilhosa.

Viajar pra mim é maravilhoso independente de eu estar conhecendo lugares novos ou de estar voltando aos lugares que amo, mas dos quais estou longe. Acho que nunca me sinto tão feliz e tão realizada como quando estou viajando, mesmo que eu tenha uma facilidade incrível pra passar mal longe de casa , o que me faz estar sempre atrás de canja de galinha (o estômago, amigos, ele é muito fraco) (e não sei andar em meios de transporte alternativos, tipo barco, sem precisar de remédio) (e o remédio também me deixa desconfortável). Talvez  eu goste tanto de estar longe de casa  de tempos em tempos porque não existe jeito melhor de ser lembrada do quão grande – do quão enorme – o mundo é e de como ele está  cheio de coisas e pessoas para descobrir.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Copa das copas, Copa dos plot twists ou Copa que não vai ser nossa

É difícil explicar, entender ou acreditar no que aconteceu ontem no Mineirão. Por mais contestadas que algumas escolhas do Felipão tenham sido, por maior que seja a superioridade dessa seleção alemã em relação à nossa seleção atual, sete a um não é um resultado que faça sentido ou que faça jus aos jogadores que nós temos, ainda que eles talvez não sejam o que estamos acostumados a chamar de jogador de Seleção brasileira.

Se o que aconteceu ontem foi pane, se é - aproveitando que o Leo DiCaprio esteve aqui na abertura da Copa - um pesadelo coletivo do qual a gente ainda vai acordar, não sei dizer.

Foi feio. Foi triste. Até derramei umas lagriminhas depois daqueles inacreditáveis seis minutos sobre os quais falaremos pros nossos netos.

Mas OBVIAMENTE não estou com vergonha de ser brasileira porque nossa seleção de futebol perdeu um jogo, mesmo que tenha sido horroroso. Assim como em 2006 e 2010, "não deu". Até 2018, na Rússia, tem muito tempo pra aprender, crescer e melhorar até lá, se os envolvidos e aqueles a quem isso compete quiserem.

Mesmo depois de ontem, porém, essa Copa continua sendo maravilhosa. Se tivemos tantos plot twists nela - a goleada da Holanda na Espanha, a Costa Rica deixando três campeões mundiais pra trás e dando uma canseira na Holanda, a mesma Alemanha que deu um banho nos nossos meninos passando sufoco pra passar pela Argélia - o de ontem foi mais um pra lista. Pra quem não estava envolvido, certamente foi bem engraçado, como foi pra gente ver Portugal levando quatro (ei, pelo menos eles não fizeram gol de honra. Nem mesmo tendo o melhor do mundo).

Contra as previsões catastróficas que diziam que o país não conseguiria sediar esse evento, não só conseguimos como estamos fazendo uma ótima Copa. Problemas teve, coisa que não ficou pronta a tempo também teve. Mas problemas, como a gente sabe, sempre tem. E já que a gente adora o olhar estrangeiro (uma pena que com tanta freqüência seja com inferioridade), todo mundo já sabe que eles em geral têm deixado nosso país com uma impressão positiva. Quanto à nossa Copa e quanto ao nosso povo, que acolheu os visitantes tão bem.

E que Copa boa de acompanhar vem sendo essa. Com tantos gols (os de ontem a gente ignora), tantas viradas, começando bizarramente com um gol contra, com times desacreditados avançando e vários grandes caindo logo na primeira fase, com gifs extraordinários e memes melhores ainda.


Que momentos, amigos.

E se ontem doeu lá no meu âmago - porque eu sempre me permito ter esperança e inclusive mandei todo mundo sair com o pensamento negativo pra bem longe - eu ao mesmo tempo fico feliz porque torci.

Nesse post muito bacana da Anna sobre esse hábito de sofrer com o futebol que a gente tem, contei nos comentários um pouquinho sobre o meu próprio hábito de sofrer. Já torci muito pelo Grêmio, que sempre vai ser meu time do coração, e sofri muito por ele também. Nunca vou esquecer do tamanho da minha decepção em 2007 na final da Libertadores que perdemos, embora, pensando racionalmente, ter chegado lá já tenha sido um feito enorme (e foi inesperado). O trajeto até chegar lá foi cheio de emoção. Torcer às vezes dói, mas às vezes também traz muita alegria.

Tem uns bons três anos que larguei o time de mão. Nunca vou trocar de time e não sei como tem quem consiga fazer isso, mas a verdade é que acho Gauchão chato, acho Brasileirão chato, e os jogos têm sido... chatos. Prefiro até assistir aos times da Europa pros quais eu nem ligo porque fazem jogos melhores (não que eu faça isso com frequência). Só que nesses casos o resultado simplesmente não é importante, mesmo que eu simpatize mais com algum dos dois times. Sentar no sofá pra ver, sei lá, um clássico espanhol pode até ser gratificante futebolisticamente falando. Mas o que acontece lá não tem relevância pra mim, não me move, não me afeta.

Essa Copa me lembrou o quão incrível é torcer, torcer de verdade. O quão fantástico é comprar uma bandeirinha pro carro e ver a cidade decorada, é tocar a corneta na janela junto com dezenas de vizinhos que eu não conheço, é comemorar um gol lindo que enche nossos olhos, é fazer de conta que tá tudo normal quando a gente ganha um pênalti de presente e xingar o juiz quando ele não nos dá um que de fato existiu, é sentir o coração disparar loucamente na cobrança dos pênaltis e querer dar um abraço coletivo no Júlio depois de passar por eles. E é conseguir rir pra não chorar quando aquilo que ninguém queria ver acontece.

Tive um professor no meu primeiro semestre na faculdade que disse que o motivo por que a gente vai numa festa, vai a um show, vai a um estádio de futebol (ou se reúne na frente da tv) é a nossa necessidade de vibrar em conjunto. E eu concordo com ele. É por isso que a gente se reúne e, além de tudo, se dirige pro twitter: pra gritar, xingar, chorar e rir de nervoso juntos. Ou por que o já tradicional hino cantado a capella é um momento tão poderoso que leva alguns brasileiros às lágrimas e provoca arrepios mesmo em gente que não tem nada a ver com o Brasil. Porque naquele momento, milhares estão ali pelo mesmo objetivo.

Ontem, perdemos e perdemos feio. A nossa seleção foi humilhada, levou porque errou uma vez após a outra. Claro que a vitória é mérito do adversário, mas muito desse resultado vem dos erros do nosso time, que falhou e foi muito. Sabe-se lá o que houve.

Fiquei triste e as entrevistas do Júlio César e do David Luiz logo depois do fim da partida me deixaram meio lacrimosa. Porque eu fico triste vendo qualquer jogador compreendendo a dimensão da própria falha e da própria derrota, e não seria diferente com os nossos. Mas juro que foi menos doído do que teria sido se a gente tivesse chegado perto de se classificar. Claro que ainda assim preferiria que a seleção tivesse perdido de um jeito mais honroso, mas teria sido mais difícil de lidar. A goleada foi tão surreal que fiquei meio anestesiada.


Quem é que queria ver esse homem chorando ontem? Ninguém, né.

Perdemos, mas a vida segue (embora o fim da Copa e a goleada que levamos tenham a capacidade de politizar e conscientizar zero pessoas, diferente do que os amigos do Facebook parecem acreditar). Perdemos, mas é só uma competição, é só futebol (embora isso dê zero motivos pra patrulha da emoção alheia criticar quem extravasou a emoção e a decepção através de lágrimas copiosas).

Mas a Copa não acabou pra gente ainda. Nem como anfitriões nem como torcedores. A Seleção fez feio ontem, mas não é feio lutar pelo terceiro lugar. Aliás, terceiro (ou mesmo quarto) entre 32 é bastante coisa. Não sei como vai ser pra estabilizar o emocional desse time, mas torço pra que isso aconteça e vou torcer muito pelo terceiro lugar no sábado. E torço pra me emocionar de novo ouvindo um estádio inteiro cantando o hino, unidos pelo mesmo objetivo. Nem que seja só pra provar que não somos "brasileiros com muito orgulho, com muito amor" só quando estamos ganhando.

E quanto ao resto da Copa: pra Holanda e Argentina fico dividida. Não queria era nenhuma na final, mas, por outro lado, a torcida holandesa não faz musiquinha dizendo que alguém é maior que Pelé (parem, hermanos, vocês sabem que estão errados). Depois desse mês de declarações de amor ao Brasil do Podolski (vão lá ler o twitter dele - recomendo - porque o tweet ocupou muito espaço do post), depois de o nosso amigo Schweinsteiger (joguei no Google mesmo) vestir a camisa do meu time (vem, Bastian!) e tudo, depois do show de classe e respeito da seleção alemã após a goleada inacreditável em cima do Brasil, estou aqui à espera do tetra deles. Mesmo que me doa um pouquinho torcer por um time europeu numa Copa que, por um tempinho, foi tão latino-americana.

Em 2018, a gente espera, #éTois (o que raios é isso?) e vem o hexa e o primeiro título que as crianças que não tavam nem na barriga da mamãe em 2002 vão ver. Por ora, não esqueçam que todo mundo tenta, mas só o Brasil é penta #chupahater.