quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O que eu andei vendo em janeiro

Sempre começo o ano assistindo a muitos filmes. Um pouco porque com as férias vem mais tempo livre, um pouco porque eu sempre me empolgo nos primeiros meses. Janeiro iniciou com uma notícia difícil (mas eu sei que vai ficar tudo bem, e estou tentando cumprir aquela promessa de ser positiva; de qualquer maneira, fica o pedido para quem tiver energias positivas para compartilhar). Lidei com isso parando na frente da televisão para ver alguns filminhos sobre os problemas dos outros e distrair a cabeça. Eis o que eu andei vendo:

O Despertar de uma Paixão (John Curran, 2006): O primeiro filme do ano já foi, casualmente, um cinco estrelas. É uma mistura de drama com romance de época (mas muito menos sobre romance do que sobre amor), que justapõe o horror da epidemia de cólera na China com as paisagens incrivelmente bonitas que aquele lugar tomado pela doença oferecia (a fotografia desse filme é linda demais!). Segue um rumo bem diferente do que eu esperava e, apesar de o filme ter ganhado um título bem brega em português, é bem isso que a gente assiste. O despertar de uma paixão entre duas pessoas que foram ruins uma para a outra, mas que também foram muito importantes e necessárias uma para a outra, no contexto. É lindo.

Perfume: A História de um Assassino (Tom Tykwer, 2006): Perfume é uma das histórias mais bizarras a que eu já assisti, funcionando numa espécie de realismo mágico, e o uso do narrador em off faz soar como um tipo de... fábula? Um filme ainda não tem a capacidade de transmitir para você os cheiros que o protagonista dele sente com tanta intensidade, mas esse é tão sensorial, por meio das imagens, que chega quase. É como se você de fato entrasse na cabeça do assassino do título. O Ben Whishaw interpretou alguns dos personagens de que eu mais gosto, mas fiquei bem admirada com o trabalho dele na pele desse assassino bizarro cheio de sangue frio, mas que faz o que faz em nome de algo que parece maior do que ele. Peca por ser um pouquinho longo demais.

Zodíaco (David Fincher, 2007): Acho que esse é um dos filmes do Fincher que são menos queridos pelo público, mas achei bem interessante e bem feito. As cenas dos assassinatos são incrivelmente agonizantes, e também fiquei #tensa em vários momentos envolvendo o personagem do Jake Gyllenhaal (que fica tão obcecado que resolve dar uma de investigador) - tipo uma num porão, na qual eu só conseguia pensar "MEU FILHO, SAI DAÍ". Porém, todavia, contudo, se a história do Zodíaco é de fato bem interessante, e dá pra entender a obsessão do protagonista, o filme é meio longo e lá pela metade, quando a ação da polícia é que está em foco, dá uma certa vontade de dormir - ainda que depois volte com tudo. É um bom filme de crime e investigação, e, porque sou eu, fiquei morrendo de medo enquanto andava pela casa escura depois de assistir.

Exôdo: Deuses e Reis (Ridley Scott, 2014): Sabia que era roubada, mas fui mesmo assim. Pra ser justa com o Ridley Scott (porque ele é produtor da minha coisa favorita nos últimos tempos, beijo Ridley Scott), esse definitivamente não é meu tipo de filme. É barulhento, cheio de cenas de lutinha e efeitos especiais, e eu saí do cinema morrendo de dor de cabeça. A história é boa, mas não dá pra dizer que isso é bem um mérito do filme, né? Só achei excelente a sequência de cenas envolvendo as pragas. Me deu agonia, queria fechar os olhos e choramingar? Óbvio. Ponto pro filme. Tem efeitos bem bonitos, o trabalho de reconstrução do Antigo Egito é lindo, mas acho que esse tipo de filme só vale mesmo se for assistido no cinema.

Mãos Talentosas (Thomas Carter, 2009): A história do Ben Carson, o protagonista desse filme, é fantástica. Quer dizer, é um menininho negro estudando numa escola para crianças brancas nos anos sessenta, que diz constante para a mãe que é burro demais para ir bem nos estudos e que eventualmente vira um cirurgião tão bom que é chamado (isso é a primeira cena do filme, só pra avisar) para separar gêmeos siameses ligados pela cabeça, coisa que ninguém nunca tinha conseguido fazer. É uma pena, então, que essa história de vida não tenha sido tão bem aproveitada assim, porque acabou ficando um pouco raso e rápido demais. É um filme para TV bem a cara de filme para TV, o que não quer dizer que eu não chorei horrores no final, porque sou eu (e porque é uma história bonita).

Inside Llewyn Davis (Ethan e Joel Coen, 2013): Llewyn Davis é um cantor de folk que começa o filme enfiado numa bosta tremenda, e passa o resto dele meio-que-tentando-sair-mas-não-tanto-assim. Sai de lugar nenhum e chega a lugar nenhum, mas, nesse caso, é intencional e é uma coisa dramaticamente interessante. Interessante, mas não marcante. Interessante, mas não particularmente bom. Interessante, mas já esqueci da maior parte. Destaque para a música, que é parte fundamental do filme, e eu particularmente gostei muito porque folk é uma delícia de ouvir. Justin Timberlake, Carey Mulligan e um terceiro cantando Five Hundred Miles era uma coisa de que eu precisava muito.

O Suspeito (Gavin Hood, 2007): Por algum motivo, esse filme estava na minha lista do Netflix, que me informou que ele ia sair do catálogo, que é um dos motivos que me fazem assistir aos títulos que estão estacionados por lá há tempos. No fim das contas, ele segue no catálogo, o que quer dizer que eu perdi minhas duas horas por nada. Um ótimo elenco desperdiçado num filme tão fraco. Talvez ele fizesse mais sentido lá em 2007, mas a verdade é que a temática do pós-11 de setembro já foi tão, tão explorada que é difícil fazer algo interessante com ela, ainda que a premissa desse aqui seja boa (e a mensagem, eu acho, também) (acho).

Terapia de Risco (Steven Soderbergh, 2013): No começo, pensei que esse seria um filme reflexivo sobre uma mulher com depressão. Depois, pensei que ele discutiria o aspecto dos medicamentos sobre o qual a gente não pensa muito (as reações adversas) e que, talvez, fosse enveredar para uma crítica à indústria farmacêutica. Mas não era nenhuma dessas coisas. É um thriller muito bom, com boas viradas e uma trama bem inesperada e nada previsível. Fiquei bem surpresa com ele, e indico bastante para quem gosta de filmes nesse estilo. Destaque para a atuação da Rooney Mara, que é ótima.

O Homem que Fazia Chover (Francis Ford Coppola, 1997): Depois que eu assisti a um filme que foi um grande marco na minha vida e decidi que queria ser Elle Woods, eu passei a ser uma grande fã dessas histórias de tribunal. Essa aqui é uma história bem bacana sobre um advogado que acabou de passar no exame da Ordem, que sai percorrendo corredores de hospital junto com o Danny DeVito em busca de clientes e que, no seu primeiro caso, enfrenta uma seguradora de saúde representada por um advogado bem poderoso, tudo isso enquanto se envolve com uma mulher que sofre contínua violência doméstica. Não é nenhum grande filme, mas bom para quem gosta desse tipo de história.

The Edge of Love (John Maybury, 2008): Baseado quadrado amoroso envolvendo o Dylan Thomas (quem viu Insterstellar com certeza vai lembrar do poema maravilhoso dele, "Do not go gentle into that good night", que na verdade nem aparece por aqui - porque não tem nada a ver mesmo), a esposa, a namorada de adolescência e o cara do exército apaixonado por essa última, isso durante a Segunda Guerra. É uma história relativamente boa, mas não tão bem executada. No começo, os ângulos de câmera diferentões e os poemas recitados em off combinados com imagens genéricas de guerra ou closes ~artísticos~ em pares de olhos e etc até que eram bacanas, depois começaram a me incomodar. Não foi ruim, mas também não chegou a ser bom. Mais bacana mesmo foi o retrato das duas mulheres nada convencionais envolvidas com o poeta (que é bem Típico Poeta). Agora, num comentário mais relevante, vocês já pararam pra pensar que aquelas expressões bregas de narradora de YA sobre ~nadar nas piscinas dos olhos~ do interesse romântico foram inventadas pro Cillian Murphy, provavelmente?


Vou deixar isso aqui só pra vocês concordarem comigo.

Bride & Prejudice (Gurinder Chadha, 2004): Eu nunca tinha visto um filme de Bollywood, ainda que esse aqui diga logo no poster que é "Bollywood encontra Hollywood", então eu tenho certeza de que continuo sem ter visto um filme bollywoodiano. Essa adaptação de Orgulho e Preconceito para os dias atuais, na Índia, é um filminho bem sessão da tarde numa estética meio novela mexicana, mas é engraçadinho e bonitinho. Adaptações diferentes de O&P sempre chamam a minha atenção, e assisti a essa mais pela curiosidade, mas confesso que me decepcionei um pouco - esperava bem mais dos números musicais, pelo menos (mas as cenas de baile, se é que dá pra chamar assim, são ótimas). Se você quiser assistir, tem que abrir o coração de verdade, e, como eu não fiz isso, penei um pouquinho pra chegar ao final.

PS: acho que ficou bem evidente que se você quiser fazer um filme e passar da marca dos 120 minutos, pode ter quase certeza de que eu vou reclamar.

Mês que vem, se eu me dedicar à ideia, a gente conversa sobre as apostas pro Oscar, que tal?

sábado, 10 de janeiro de 2015

Sobre os livros pra 2015

Já contei pra vocês que em 2015 eu quero ser uma pessoa mais positiva e otimista. O meu projeto de vida de verdade é sempre o de ser uma pessoa melhor — mas esse, eu acho, a gente nunca consegue realmente concluir, porque duvido que alguém chegue num ponto em que pense "eu sou a melhor pessoa que eu poderia ser" (contestem essa afirmação se eu estiver errada, e me expliquem como faz, inclusive). Mas é evidente que ambas as coisas são bem difíceis, e, como diz lá naquele discurso de formatura famoso que eu revejo vez que outra, é o trabalho de uma vida sair da sua configuração padrão, que no meu caso não é só ser egocêntrica e acreditar que tudo no mundo está lá pra me afetar, mas também enxergar quase tudo pelas lentes do pessimismo.

Se é muito difícil controlar e manter esse tipo de objetivo em vista, tem aquelas resoluções que são mais simples (mesmo que não sejam necessariamente fáceis), mas relevantes de qualquer jeito: dormir mais cedo. Caminhar mais. Ingerir menos açúcar. Essas coisas. Por isso, resolvi que em 2015 eu também iria aceitar um desafio literário. Ler sempre foi my thing. Enquanto cada um tinha o seu talento e o seu hobby, eu era a menina que lia. Desde que eu comecei a estudar Letras, esse não é mais o meu papel. Todo mundo do meu convívio diário é a pessoa-que-lê (assim, não faz sentido, pra mim, que alguém que não goste de ler esteja no curso, mas ei, cada um com a sua vida). E, ironicamente, a Letras tira muito do seu tempo pra fazer isso por hobby, além de também acabar transformando seu hobby numa obrigação, e em algo pelo qual você vai ser avaliado.

Acabei de escrever todas essas palavras porque, sim, eu tenho dificuldade em ser concisa, mas também porque, sim, nos últimos anos eu li bem menos do que de costume. Não me imponho metas de leitura nem acho que quanto eu leio ou não leio é relevante. Mas não vou mentir: me incomoda, ao mesmo tempo em que eu fico fascinada, entrar numa livraria ou numa biblioteca e perceber quanta coisa incrível eu não só não li mas também desconheço — porque eu estou lendo o cânone literário (e é tudo ocidental, claro) ou os títulos novos de gente com nome grande e conhecido que ficam expostos nas vitrines e banners dos sites.


Daí peguei o primeiro desafio literário que vi pela frente — que mais tarde descobri que é de uma revista de celebridade, mas, ok. Ele não é focado em diversidade, mas propõe uns bons 50 itens variados, alguns que eu provavelmente não cogitaria de outro modo: um livro com personagens não-humanos, um vencedor do Pulitzer, um livro de memórias, um livro publicado no ano em que você nasceu, um livro com resenhas negativas, uma graphic novel, um livro que se passa na sua cidade, além de várias outras categorias mais fáceis. Como uma categoria não exclui a outra, não quer dizer que você vai acabar lendo mais de cinqüenta livros. (A Maggie Stiefvater apontou, bem incomodada, que uma das categorias é um livro escrito por uma autora do sexo feminino, e de fato essa é uma categoria horrenda  — como se fosse um nicho específico ou alguma coisa assim, e acho importante citar o fato).

Mas eu continuei incomodada depois dessa decisão porque nada nesse desafio me impele a ler alguma coisa mais diversa. E foi aí que eu me deparei com um post da Mell, do Literature-se, falando sobre o Projeto Lendo o Mundo. Baseada num projeto da Ann Morgan, que leu 196 livros de 196 países diferentes. A Camila, do blog Viaggiando está se propondo a fazer algo parecido, mas sem a imposição do tempo (afinal, duzentos livros em um ano é um pouco além das possibilidades reais, não?), e a Mell também. E eu... também. Digo, mais ou menos.

Vou ler 198 livros? Eu já sei antes de começar que é pouco provável. Mas é acompanhando a Mell e a Camila que eu pretendo buscar por títulos diferentes, que eu muito provavelmente desconheço. A Ann Morgan, que criou o A Year of Reading the World, tem uma lista super extensa com as obras que ela leu e várias outras sugestões, e já um excelente lugar para começar. Ainda não sei exatamente o que propor para mim mesma? Ler autores de pelo menos dez nacionalidades num ano, talvez? Quinze? Bem, bem pouco ambicioso, eu sei, mas não dá pra pedir que eu seja otimista demais (e, vocês sabem, eu vou ter que cursar algumas cadeiras de literatura, o que vai tomar bastante tempo).

É uma linda ilusão de férias achar que vai dar tempo, e sobrar ânimo, disposição e um cérebro descansado, pra ler tudo isso quando a vida voltar ao normal. Mas eu estou me desafiando a ir atrás de coisas novas, num movimento proposital e que provavelmente vai exigir um pouquinho de esforço — ou, pelo menos, mais esforço do que olha, o livro novo da Sophie Kinsella. Pera, deixa eu ler outro do Fitzgerald. Nah, vou ler uma coisa diferente: ah, sim, outro romance, mas de um autor que eu nunca li, mas que vai estar lá no programa de qualquer disciplina de literatura que englobe o período em que ele viveu (ele, porque as chances de ser um homem são grandes). Que inovador.

É claro que eu não sei onde isso vai dar e é bem possível que eu desista antes mesmo de a coisa engrenar. Mas a gente tenta, correto?

E é claro que você já pode olhar para o que eu vou pedir a seguir e pensar "tsc, tsc, mas já está tentando facilitar o desafio" (e vai estar correto), mas se vocês tiverem leituras para recomendar, por favor, façam. De verdade. Pelos comentários. Pelo recurso de recomendar-para-um-amigo do Goodreads. Através de um tweet. De um email. De uma mensagem numa garrafa. Agora ou ao longo do ano.

E, se quiserem vir comigo, melhor ainda. Estamos aí pra isso.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

2015 e a busca pela Pollyanna interior

Eu nunca li Pollyanna, embora minha mãe vez que outra fale do livro, porque é uma das leituras de escola das quais ela não esqueceu. Pollyanna, pra mim, é só o famoso espírito-de: aquela pessoa irritantemente positiva e otimista, em toda e qualquer situação; nada abala sua confiança na crença de que sempre sempre sempre existe um lado bom, e de que o que está por vir há de ser melhor. "Espírito de Pollyanna", "ser uma Pollyanna", geralmente são expressões proclamadas com pelo menos um tantinho de escárnio. Porque essa crença cega de que em tudo existe um lado bom às vezes vira sinônimo de extrema ingenuidade, ou porque às vezes você só quer alguém que concorde que deu tudo errado, que a situação é uma bosta, e fim.

Eu nunca foi uma Pollyanna. E também não acho que você precise procurar o lado bom de cada situação ruim pela qual passa na sua vida, nem vejo muito sentido nisso. Por que algumas coisas não podem ser ruins, ou tristes, ou difíceis e complicadas? Eu sempre achei que mais importante do que examinar minuciosamente esses momentos em uma busca desesperada por um silver lining é reconhecer que você vai ter dias ruins, ou meses, ou talvez até mesmo anos, mas que eles terminam. A famosa parábola do rei que buscava por uma verdade absoluta, que seria verdadeira em todos os momentos da sua vida, faz muito sentido: "this, too, shall pass" - tudo passa, e isso é verdade quando você está enfrentando um momento difícil, mas também é verdade quando você se sente inteiramente feliz.

Mesmo assim, eu vejo algo de bonito no espírito de Pollyanna, algo de inspirador. Tem um post popular no Tumblr que diz que ser pessimista é ótimo, porque no fim das contas ou você tem razão, ou você é surpreendido positivamente. Isso não deixa de estar certo. Talvez isso não seja verdade para todo mundo, mas para mim, pessoa do copo-meio-vazio, ser pessimista é mais fácil. É mais fácil porque, se você não cria expectativas, você não tem como se frustar quando elas não são alcançadas. Porque se você esperar sempre pelo pior, estar errado significa ganhar bem mais do que você imaginou que ganharia.

É mais fácil chegar ao final do ano, olhar para trás (de relance para as muitas coisas das quais você já nem lembra mais, com mais atenção para as que estão marcadas e destacadas na memória) e pensar em tudo que não saiu conforme planejado, ou que te desestruturou e te machucou. Por que é tão fácil esquecer de todo o resto? Por que é tão fácil esquecer das conquistas, especialmente as pequenas, que você realizou, ou que uma pessoa importante para você realizou, e que você esteve lá para presenciar? Por que é tão fácil esquecer de quando você riu até a barriga doer, ou que você pôde sentir o sol de inverno no seu rosto frio, como um alento num dia gelado?

Por que é tão fácil para mim esquecer de que, nossa, eu tenho tanto, tanto pelo que agradecer?

Um dos meus filmes favoritos diz que a tristeza é mais fácil, um dos personagens mais populares do ano passado diz que na verdade se considera um realista, embora seja um pessimista em termos filosóficos, e, ironicamente, existe uma variedade de artigos de revista e pesquisas científicas que buscam um lado positivo de ser um pessimista.

Não sei se existe um lado positivo em ser um pessimista (alô, Pollyanna, desvende o mistério), não acho que pessimismo é igual a realismo, e acho que, embora cada um tenha o direito de acreditar no que bem entender, os pessimistas radicais de plantão deviam olhar para si mesmos e se perguntar se não estão sendo tão absurdos quanto as Pollyannas do mundo. Mas a minha tendência natural é pender mais para a linha de raciocínio dos primeiros do que para a dos segundos. Provavelmente porque é muito mais fácil, ainda que mais um caminho para ser mais infeliz. Por isso mesmo, quero aprender um pouco com os otimistas - aqueles mesmos, que nem sempre são levados a sério.

Alguém, que eu não sei quem foi (e vou precisar me desculpar por não dar os devidos créditos a quem merece) sugeriu um projeto para 2015: todos os dias, sem exceção, você toma nota de alguma coisa boa que aconteceu dentro daquelas 24 horas. E, no dia 31 de dezembro, você terá 365 coisas boas para relembrar. Ainda que nesses 365 dias aconteçam coisas para as quais você não vai querer procurar um lado bom, possivelmente porque, para algumas delas, ele realmente não exista. Mas elas passarão, também.

Buscar a minha Pollyanna interior é mais difícil, mas é também dar uma chance para que as coisas boas que eventualmente passarão tenham chance contra as coisas ruins que provavelmente vão parecer muito mais intensas e duradouras. É brega? Possivelmente. Mas ser brega não parece um preço tão alto a pagar.

Procurar as coisas boas pode, sempre.

Feliz 2015.