09/06/13

09/06/13

Elementar, minha cara Watson

Não posso dizer que me lembro de quando descobri que a CBS tinha encomendado um piloto de uma versão moderna de Sherlock Holmes, situada em Nova York. Uma versão tão moderna que transformava John Watson em Joan, sem nenhum motivo aparente. Não lembro exatamente de quando isso aconteceu, mas lembro da minha reação. É claro. "What the f-?”, pensei. “Americanos, por que vocês precisam fazer uma versão de tudo no mundo?". E, é claro, "estão tão claramente tentando pegar carona no sucesso de Sherlock! Sherlock americano provavelmente vai ser cancelado na primeira temporada".

Pois bem. Até hoje não sei muito bem por que John Watson virou Joan. Continuo achando que os americanos não precisariam fazer uma versão própria de tudo no mundo. E talvez estivessem mesmo tentando pegar carona no sucesso de Sherlock (que talvez tenha pegado carona no sucesso do filme de 2009 com o Robert Downey Jr. Que talvez tenha surgido porque Sherlock Holmes sempre foi muito popular). E Elementary não foi cancelada na primeira temporada. Mas não é sobre nada disso que quero falar.

Por meio desta, (humildemente) confesso: eu estava muito enganada ao torcer o nariz para o Sherlock Holmes americano (que, na verdade, nem é americano).


E é bem Sherlock.
Crédito: x

Elementary demorou sete episódios para me ganhar, e, entre o sexto o sétimo episódios, fiz um hiatus particular de uns dois ou três meses, durante os quais eu considerei a série como “mediana e devidamente abandonada”. O Sherlock Holmes da série investiga – tandamdam – crimes. Na Nova York do século XXI. Na verdade, ele é um da NYPD – que toda semana tem um caso novo para ele investigar. Enfim, é um procedural, coisa que os americanos claramente adoram.

Essa estrutura caso-da-semana é o grande problema de Elementary. É uma temporada com mais de vinte casos diferentes, e a maioria deles são esquecidos bem rápido. House (que é, como todo mundo sabe, bastante inspirada nas histórias do Conan Doyle), foi que me mostrou – depois de oito longas temporadas – que o problema dos procedurais é que eles acabam se tornando cansativos. Foi exatamente por esse motivo que eu acabei abandonando Elementary por um tempo.

O que me puxou de volta para a série, e o que me faz continuar assistindo, são Sherlock Holmes e Joan Watson. E "joanlock". A série faz uma leitura diferente da obra de Conan Doyle em relação a outras versões modernas de Sherlock Holmes. E é uma leitura que tem me agradado mais do que as outras duas (ok, cartas na mesa: os filmes do Guy Ritchie, dos quais eu não gosto muito, e Sherlock, da qual eu realmente gosto muito). O Sherlock de Elementary conhece Watson porque é obrigado – Joan é contratada pelo pai de Holmes para ser a sober companion do detetive, que é um viciado em reabilitação. No piloto, Sherlock diz a Watson: "a verdade é que eu não preciso de você". E o que a primeira temporada nos mostra é que ele não poderia estar mais errado. E isso é uma coisa linda de se ver: o desenvolvimento dos personagens – e dos relacionamentos entre eles – é tão bom de assistir que consegue apagar o quão mais ou menos muitos dos quebra-cabeças semanais são (mas ei: alguns são bem cativantes e divertidos!).

Sherlock é desagradável e rude, às vezes. Como não poderia deixar de ser. Mas ele é um personagem completamente humano, como também não poderia deixar de ser. Sherlock se deixa levar por suas paixões – especialmente uma relacionada a uma certa mulher. E luta diariamente contra um vício – um ponto muito acertado da série, que aborda a questão constantemente. Watson é uma personagem muito ativa na série (alguns a consideram a verdadeira protagonista – não vamos esquecer que quem narra as aventuras de Holmes é Watson): ela, de fato, ajuda Holmes nos casos, ao invés de ficar em volta dele apenas sendo constantemente maravilhada pelas sua incrível capacidade de dedução. E Watson não pensa duas vezes antes de dizer para Holmes que ele está sendo um babaca, ou que seus comentários são misóginos, ou que suas habilidades e intenções não justificam tudo o que ele quer fazer. Como o próprio Holmes diz pra ela lá pelas tantas na série: ele é melhor com ela. E ela também é melhor com ele, porque vai, aos poucos, encontrando novamente algo que a empolga. E o melhor de tudo é que isso se passa sem nenhuma tensão sexual, embora exista muita química entre os atores. O que eu mais temia (que Watson tivesse sido transformada em mulher somente por motivos de: romance) não se concretizou e, aparentemente, não vai. Ponto para a série.



Joan Watson não tem tempo, nem paciência, pra essa baboseira.
Crédito: x

Ponto para a série, aliás, que encheu a vida de Holmes de diversidade (racial, de gênero, de sexualidade, de tudo) – afinal, poderia ser diferente em plena Nova York do século XXI? Que sabe usar o canon, mas sem medo de ser sua própria versão – a ponto de algumas pessoas não conseguirem enxergar a série como Sherlock Holmes, o que definitivamente não é meu caso. Que não transforma a polícia em um bando de idiotas. Que dá espaço para que os dois protagonistas brilhem. A série tem problemas? Claro. Já falei dos casos da semana desinteressantes, e vou só citar de passagem a introdução de Irene Adler e de Moriarty na série (primeiro porque o post já está muito longo, segundo porque seria um campo minado de spoilers). Mas o que tem de bom - e tem muita coisa boa - faz a gente deixar passarem esses problemas.

Conclusão: estou muito feliz porque errei minha previsão, e a série não foi cancelada em sua primeira temporada. Mal posso esperar pelo que vem na próxima.

01/04/13

01/04/13

Dos ebooks e livrarias

No finzinho do ano passado, com a chegada do Kobo e do Kindle ao Brasil, acabei aderindo a essa nova tecnologia que, há um ano, cheguei a afirmar que jamais abraçaria. Na verdade, meu ereader foi um presente, e não investimento próprio, mas a ideia de comprar um já estava na minha cabeça há algum tempo por um único motivo que, embora viesse solitário, era praticamente incontornável: meu espaço para guardar livros está cada vez mais próximo de acabar (e olha que eu andei me desfazendo de vários, dos quais – infelizmente para o meu bolso – não gostei). Problema mais comum impossível.

Passada a empolgação dos primeiros dias, posso dizer que ainda continuo bem satisfeita. Aparentemente a venda dos ereaders não emplacou no Brasil, e muito disso tem a ver com a combinação do valor do investimento, o valor dos próprios ebooks nacionais, e o tamanho ainda reduzido da oferta de títulos no formato digital. Mas eu, particularmente, estou adorando. Ok, se o objetivo é economizar, a ideia ainda não funciona muito bem, mas essa nunca foi a minha intenção (não vou achar ruim caso aconteça, no entanto). O ereader tem inúmeras vantagens, a começar por resolver meu já citado problema de espaço. Milhares de livros cabem dentro de um aparelhinho do tamanho de um pocket. Fora isso, tem a questão de o peso ser bem menor (imagina eu, que comecei a ler Os Miseráveis há pouco – por sinal: vamos ver onde isso vai dar? – carregando por aí aquele pequeno livrinho, carinhosamente apelidado de "Brick" pelos leitores?). Fora que para quem gosta de comprar livros importados, que é meu caso, vale muito a pena pela rapidez com que você recebe o que compra: um livro que demoraria de um mês pra mais para chegar à minha casa agora leva quinze minutos para aparecer dentro do aparelho. (Ah, e para quem gosta de clássicos, a maioria está digitalizada na internet, em edições muito boas e bonitinhas, por sinal. Recomendo essas aqui – em inglês). Eu diria com bastante certeza: é amor.

Passar a ler ebooks também tem me ajudado na arte do desapego das coisas materiais. Ou não. A questão é que a única vantagem que eu ainda enxergo quando comparo livros físicos com os digitais é que... bom, eles são livros físicos. Ficam bonitos na estante, decoram o quarto. E, convenhamos, quando comprar e possuir passa a ser melhor do que a própria leitura, tem algo errado. É lindo comprar um volume novinho de uma série maravilhosa, né? Mas, teoricamente, por causa do que está escrito nas páginas, entre a capa e a contracapa. Não por causa delas. (Detalhe: nada disso quer dizer que nunca mais vou comprar livros físicos, até porque muitos deles ainda nem existem em versão digital, e porque adoro dar livros de presente).


Dá até pra transformar ereader em hardcover, gente! Se servisse pro meu, não pensaria duas vezes antes de comprar (aliás: vontade de comprar essa loja toda, e vocês?). Imagem: Out of Print

Com todas essas vantagens, só tem uma coisa que realmente me faz falta, e percebi isso quando fui à livraria pela primeira vez em 2013, no começo de março: a própria livraria. Porque livrarias, para mim, sempre foram muitos mais do que mais um lugar para consumir. A graça da livraria é estar rodeada de livros, ser tomada por aquela lembrança de que ainda existem milhares de títulos para serem lidos, e ver outras pessoas tão fascinadas por eles quanto nós (e é por isso que todo ano me desloco até a Feira do Livro de Porto Alegre, mesmo que às vezes acabe voltando de mãos vazias. Nunca achei que vale muito à pena pelos descontos, mas pelo ambiente? Sem dúvidas).

Pra mim isso tem tudo a ver com aquela imagem que às vezes circula Facebook afora, comparando a maneira como várias atividades eram realizadas antigamente, e como acontece hoje (resposta: hoje é tudo na frente do computador, no isolamento, com fones de ouvido para deixar de fora o resto do mundo). Não que eu seja pessimista nesse sentido. Não acho de jeito nenhum, como muita gente por aí, que as pessoas tenham desaprendido a viver e a interagir, ou que tenham entregado seus cérebros à máquina ou qualquer coisa assim. É só que a praticidade da internet nos leva a resolver muita coisa de uma maneira muito mais fácil e rápida. Ajuda? Demais. E é ótima. Poupa tempo, esforço, deslocamento e a lista segue.

Mas eu ainda prefiro (um milhão de vezes) descobrir um livro novo folheando as páginas dele após retirá-lo de uma prateleira cheinha de outros títulos desconhecidos. Ou comprar um ingresso para ver um filme no cinema – mesmo que mais tarde ele esteja "de graça" por streaming na internet (afinal, streaming não vem com pipoca doce). Também tenho certeza de que assistir o show do John Mayer no Rock in Rio pela televisão não vai ter a menor graça e vou ficar o tempo inteiro chorando por não estar lá (chorando foi um pouco exagerado, mas vocês entenderam). E olha que eu passo mais tempo do que a média na companhia do meu notebook, ou da tv. É por isso que eu não acho, eu sei que as tecnologias não estão numa guerra contra coisa nenhuma. Elas são mais uma possibilidade.

Acho que ebooks e ereaders nunca vão conseguir acabar com os livros físicos, mesmo que alguns acabem aderindo à novidade e não larguem nunca mais. E, se for o caso, talvez as livrarias devessem aproveitar e incluir uns caixas eletrônicos para a gente poder comprar a versão digital de um livro que acabou de ver por lá. Seria perfeito.

Ver em tamanho maior: aqui. E aí, um deles precisa vencer?

06/03/13

06/03/13

Gilmore Girls: um top 10

Quando assisti Gilmore Girls inteirinha de uma tacada só, no ano passado, acabei criando um arquivo no Bloco de Notas onde guardava o nome de todo episódio que eu assistia e considerava um "favorito" (o arquivo tem 47 nomes, quase um terço do total de episódios exibidos), pra poder revê-los quando estivesse precisando de uma boa dose de Gilmorepan para alegrar um dia ruim (dica: funciona mesmo).

Reencontrei esse arquivo no mês passado enquanto revirava minhas pastas no computador. Morrendo de saudades da série (é, já), passei um bom um mês namorando a ideia de postar aqui um top 10; depois, rever esses episódios e convidar quem estiver disposto a revê-los também (é alegria pura garantida. Sem angst, sem dor, sem nada de ruim nesse mundo).

Resolvi postar a lista antes que a minha vontade de enviar um post comentando a trilha inteirinha de Os Miseráveis me vencesse (posts no rascunho é o que mais tenho, ao contrário do blog, que foi presenteado com apenas seis posts em sete meses de existência). Não tem nada melhor que uma boa dose de Stars Hollow para tirar a poeira do blog e voltar da melhor forma possível, certo? Certo. Vamos à lista.