sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Agosto sem posts e segundo semestre do desânimo

Quase por milagre, desde fevereiro esse blog não passava um mês sem post. Julho que, olha só, inaugurou esse zicado segundo semestre de 2014, teve três (!) posts. Três pode parecer pouca coisa, mas tudo depende do seu ponto de vista. Pra mim, com minha tradição de longos textos de quase duas mil palavras sobre finales horríveis de séries sobre caras chamados Ted Mosby, três posts é bastante.

Ano passado, vim até aqui justo em agosto para dizer que o blog não estava abandonado e que eu eventualmente apareceria aqui de novo (e para compartilhar um porquinho tomando sorvete). Esse ano, nem dei o ar da graça. Em outubro de 2013, vim falar um pouco mais de blog, da vida e tudo mais, e do porquê de ele estar sempre abandonado. Afinal, eu gosto de escrever, e eu gosto de ter esse espaço pra fazer isso. Ele não é uma obrigação, mas mesmo assim acaba entrando na lista das coisas deixadas pra depois porque: procrastinar sempre vem antes. Só que, ironicamente, não tenho mais feito tanto disso. Propostas de ensaio sobre cultura norte-americana à parte, está tudo bem bonitinho e em dia no quesito compromissos.

Mas o blog, pobre dele, anda às moscas. E, pior ainda, nesse meio tempo não devo ter comentado em mais do que meia dúzia de posts em toda a internet (e vocês sabem que eu gosto de comentar, vide os longos textos que eu deixo nas caixas de comentários dos blogs alheios) (desculpa qualquer coisa, é só avisar).

É engraçado. Às vezes, no ônibus, ou na rua, ou quando estou tentando prestar atenção na leitura de um texto, eu penso ou vejo alguma coisa sobre a qual gostaria de comentar aqui. Daí chego em casa, sento na frente do computador e mal consigo compor um Tweet - quanto mais um post.

Esse sentimento começa mais ou menos em abril. E só passa depois de dois meses longe.

A questão é que esses dias me peguei pensado que, quanto mais o ano passa, menos ânimo eu tenho. Pra escrever sobre nem precisar de viagem no tempo, ou pra finalmente sentar e digitar a indicação empolgada de Veronica Mars, pra complicar um projeto de pesquisa simples com a intenção de deixar ele mais interessante (ainda que mais trabalhoso), pra sair pra caminhar no sol e calor com o objetivo de resolver pendência...

Acho que o segundo semestre é problemático porque, embora janeiro e fevereiro não tenham propriedades curativas, não façam mágica e na verdade sejam bem mais desagradáveis do que outros meses por motivos de extremo calor, o jeito que a gente mede o tempo é esse: janeiro é o começo e dezembro é o fim. O ano começa, passa, termina e eu sempre tento me convencer de que no próximo ano vou melhorar enquanto ser humano e tentar mudar aquilo que não me agrada porque, seguindo um bom conselho que vi na internet por aí: "se você não gosta de onde você está, mova-se. Você não é uma árvore". É ridículo? É. Mas é assim que funciona.

A gente quantifica e marca o tempo e embora a vida não entre num novo ciclo a cada começo de ano, por algum motivo, se você não for muito cético, a impressão que fica é essa. É ridículo o número de vezes em que eu já empurrei coisas para o próximo ano (como se janeiro de fato fosse um mês mágico) ao invés de resolvê-las e encará-las de uma vez. O começo do ano traz uma energia diferente. Uma sensação de que existem muitas possibilidades (e eu já falei disso por aqui também). O fim do ano traz cansaço, e talvez a sensação de falha porque eu não cumpri as minhas ~metas~, mesmo que eu tenha desistido há tempos de escrever resoluções de Ano Novo por causa disso.

Não é e nem nunca foi uma resolução de Ano Novo manter esse blog atualizado. Não acho que o que eu escrevo é, assim, particularmente interessante, e muito menos necessário (mais sobre isso nesse post incrível, que não é meu, e sim da da Milena, mas com o qual eu concordo completamente). Mas o diálogo com qualquer pessoa que dedica uns minutinhos do seu tempo pra ler o que eu escrevo e deixar uma resposta é, sim, importante. Compartilhar o que eu tenho visto de mais bonito e bacana por aí (seja ficção ou seja realidade) é necessário. Mesmo que seja só pra mim mesma. Eu queria especialmente poder sempre compartilhar aquilo que me deixa feliz, que faz bem ou que me faz pensar. Mas não adianta: quanto mais o ano passa, mais eu me faço aquela pergunta horrenda sobre "qual é o sentido?", menos me empolgo pra fazer isso. O espírito só volta a se animar em cem por cento quando o semestre está perto de terminar e as propagandas de Natal do Zaffari* começam a passar na televisão e eu estou liberada pra ouvir cover pop de música natalina brega. Porque mesmo com consumismo (etc etc), mesmo com verão de quarenta graus, mesmo que os dias 24 e 25 em si não sejam empolgantes, o que tenho a dizer sobre dezembro é que: 'tis the season to be jolly.

Com tudo isso, não queria chegar a nenhuma conclusão lógica ou natural a partir de uma linha de raciocínio (que na verdade não existe). Só queria dizer que: estou viva, estou bem, não estou lendo mais nada e estou com medo de ter virado uma daquelas pessoas cuja concentração dura só dez minutos, mas estou por aqui. Eu obviamente vou aparecer de novo em breve pra falar de Friday Night Lights - já que eu gosto de compartilhar as coisas incríveis que eu vejo por aí, é meu novo projeto de vida fazer alguém assistir. Aguardem.
--------------------
* Esse post não é um publieditorial - estou só seguindo a linha de compartilhar-as-coisas-boas -, mas se você não tem a felicidade de assistir a esses comercias na televisão, eu recomendo demais (demais!) perder uns minutinhos vendo. Eles devem ajudar, de modo subliminar, a fazer pessoas trocarem de supermercado, mas não têm nada a ver com compras e supermercado e são das coisas mais lindas que existem. Especialmente a última, de 2013, e a de 2005.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Filmes que eu amo rever

O último filme que assisti foi A culpa é das estrelas, no comecinho de junho. Depois disso veio aquele evento que ocupou todas as minhas tardes livres por um mês; daí, precisei (re)aprender a assistir outras coisas e comecei a ver Friday Night Lights: contra todas as previsões, estou amando essa série sobre futebol americano, quem diria. Depois fui viajar. Nesse meio tempo eu, que via uns oito filmes num mês desanimado, não assisti a nenhum.

Foi refletindo sobre isso, e sobre como eu poderia voltar a ser a pessoa empolgada com cinema que já fui (até o mês passado, quer dizer), que eu resolvi falar um pouquinho sobre os filmes que eu estou sempre revendo. Passo por fases: às vezes só quero ver comédia romântica leve e feliz, às vezes quero ver muito drama, às vezes thriller de disparar o coração, às vezes filmes cheios de gente contemplativa e solitária...

Mas a verdade é que sempre arranjo um tempinho pra rever esses:

1) O amor não tira férias (Nancy Meyers, 2006)

Até citar esse filme no meu perfil ali na lateral do blog eu cito. Esse cai naquela categoria das comédias românticas leves e felizes, e é tão, tão amor. São dois romances paralelos nas férias de Natal/Ano Novo: uma em Los Angeles, a outra numa cidadezinha nos arredores de Londres. E eu adoro as duas. Mas o que eu mais amo é a história de amizade que surge entre a personagem da Kate Winslet e o do Eli Wallach (RIP): uma jovem mulher vivendo um amor não-correspondido e um senhor idoso roteirista de cinema. Os dois ensinam lições maravilhosas um ao outro e é tão bacana, tão bonito! Pra completar a coisa toda tem: Inglaterra no inverno, Jude Law, filhinhas fofas, trilha sonora do Hans Zimmer, personagem que compõe trilhas sonoras pro cinema, Natal... Revejo todo fim de ano.

2) Quase famosos (Cameron Crowe, 2000)

Provavelmente meu filme favorito do Cameron Crowe, Quase famosos é o tipo de história que eu gostaria de ter vivido, ao menos em partes. Quer dizer, o protagonista é um garoto de quinze anos que sai na estrada junto a uma banda em ascensão pra escrever um perfil dela pra Rolling Stone. Claro que a coisa não é só alegria, mas se eu jornalista fosse (e eu bem que tentei, quem lembra?), amaria fazer esse tipo de coisa. É um filme bem legal com muita música, muita estrada, muito amor à música, muitos bons diálogos e uma atmosfera bacana. Confesso que já teria comprado esse DVD há séculos se ele não tivesse sido lançado no Brasil com aquela capa horrorosa ao invés dessa com os óculos escuros.

3) Sociedade dos poetas mortos (Peter Weir, 1989)

Eu gosto dessas histórias sobre professores inspiradores que chegam numa escola pra mudar a vida dos seus alunos porque eu acho que muitas vezes é isso que nossos professores fazem. Talvez não algo tão dramático quanto revolucionar nossas vidas, mas pelo menos ajudar a abrir nossa mente e fazer com que nos tornemos pessoas melhores. Acho esse filme muito interessante por trazer toda essa exaltação às palavras, à poesia (eu quase não leio poesia por prazer, mas estudo Letras e sei muito bem o quanto é comum que “medicina, direito, negócios, engenharia”, que de fato são importantes e necessárias pro mundo, sejam muito mais valorizadas do que a arte, do que as palavras, que são coisas tão essenciais pra mim). E, é claro, também é bacana por exaltar também o pensamento independente, a vontade de pensar sobre as coisas, o não querer se resignar às “vidas de desespero silencioso”. Tem momentos bem pesados e bem tristes, mas a verdade é que sempre termino de rever pensando “que filme incrível” e emocionada por motivos de: “O Captain! My Captain!”

4) Orgulho e preconceito (Joe Wright, 2005)

Sou super fã do Joe Wright, que sempre faz filmes visualmente interessantes e bonitos, mesmo aqueles que não são muito meu tipo de coisa. Acho que Desejo e reparação é um filme bem melhor do que O&P, mas porque ele é muito doloroso, revejo bem menos do que esse. É verdade que muitos estudiosos/fãs de Jane Austen não gostam dessa adaptação, mas eu admiro bastante. Gosto do tom mais jovem da narrativa, acho a interpretação da Keira fantástica e gosto da leitura que esse filme faz do Darcy. Além de tudo isso, é um filme de encher os olhos, tem aqueles planos longos lindos, a trilha maravilhosa do Dario Marianelli... E é aquele romance que todo mundo ama.

5) Across the universe (Julie Taymor, 2007)

Eu adoro esse musical, já que ele traz ótimas interpretações de músicas que eu adoro também. Quer dizer, é um musical com canções dos Beatles! Não sou super fã da banda nem nada, tenho uma preguiça absurda dos fãs “real music!!!” que existem por aí hoje em dia, mas gosto da música deles e gostei de como foram inseridas aqui. Os números musicais são ótimos e a historinha de fundo, apesar de não ser nada de outro mundo, é bem legal também, como costumam ser essas narrativas que falam dos acontecimentos dos anos sessenta/setenta nos Estados Unidos.

6) Legalmente loira (Robert Luketic, 2001)

Quando assisti a esse filme pela primeira vez, não estava levando muito a sério. Mas a verdade é que acho uma comédia fantástica. Nada me deixa mais contente do que ter uma protagonista patricinha, loira, membro de uma irmandade, que gosta de festa, de rosa, de passear com o chihuahua... Mas que é, sim, inteligente, autoconfiante e uma pessoa genuinamente ótima. Quebrando todos os estereótipos. O filme também não deixa de chamar atenção sobre todas as pessoas que julgam a Elle Woods justamente por ela ser a patricinha loira etc. E faz aquela oposição comum entre a patricinha e a menina estudiosa e “desarrumada”... só pra acabar com esse estereótipo também. E a resolução do caso é ótima! Lembro que esse filme até me deixou com uma pontinha de vontade de cursar direito, mas eu nunca seria Elle Woods e deixei pra lá.

7) Tudo acontece em Elizabethtown (Cameron Crowe, 2005)

Cameron Crowe é amor, gente. Eu acho tão esquisito que esse filme tenha sido tão mal recebido porque acho tão fantástico e faço questão de rever sempre que ligo a televisão e ele está passando. Porque é uma boa história, tem família, tem romance, tem fracasso e volta por cima mas sem ser superação inspiradora, é verdadeira e com sentimento. Eu sou simplesmente fascinada pela road trip que acontece nos minutos finais do filme e meu sonho é que um dia o mapa feito pro protagonista realiza-la seja publicado pra gente poder fazer a mesma viagem. Sério. A trilha sonora é ótima e eu sempre ouço no youtube. E tem passagens maravilhosas. Acho que uma das frases que eu mais amo nesse filme e que tenho vontade de tatuar na pele pra levar comigo é “sadness is easier because it’s surrender”. Ou o monólogo no final.

8) Penelope (Mark Palansky, 2006)

Filme amorzinho, simplesinho e sem grandes pretensões que brinca com os contos de fadas de um jeito bem legal. É tudo meio exagerado, mas contos de fadas são assim, não são? O aprendizado da Penelope é super legal de acompanhar e amo como (spoiler) é ela quem quebra a própria maldição e é quem realmente precisa se aceitar pra que isso aconteça. Acho que passa uma mensagem bem legal (mesmo que clichê) sobre se aceitar e gostar de si mesmo – que nunca é demais. A Christina Ricci está ótima. É tudo colorido e bonito. É o filme onde James McAvoy (celebrity crush eterna da pessoa que vos fala) está mais amor no mundo. Toca Hoppípolla nos créditos finais. Sei lá, não tem como não amar.

Tem vários outros filmes que caberiam nessa lista, acredito: Questão de tempo só não está ali porque ainda não tive a oportunidade de rever, mas já sei que vou fazer isso sempre; Feitiço do tempo, Curtindo a vida adoidado, Enquanto você dormia, Harry e Sally, Meia-noite em Paris... Tudo entra aí. Como deu pra perceber, pra eu rever toda hora o filme tem que levantar o espírito mesmo. Nada de muito forte pois não sei lidar com repetição dessas experiências, mesmo que valham a pena.

Gostaria muito que vocês me contassem quais são os filmes que vocês amam rever. Quem sabe assim eu não descubro mais histórias pra incluir nessa lista?

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Sobre amar viajar e odiar voar

Uma das coisas que mais amo nessa vida é viajar. Talvez porque sou extremamente (extremamente) apegada à rotina no dia a dia, já que é o jeito como eu consigo me organizar e dar conta do que é preciso fazer sem grandes momentos de estresse. E é quando estou viajando, quando estou de férias ou num momento de descanso, que eu me desapego completamente dela: esqueço que existe e não me importo nem um pouco de não estar seguindo nenhum tipo de planejamento mais específico.

A vista é maravilhosa.

Viajar pra mim é maravilhoso independente de eu estar conhecendo lugares novos ou de estar voltando aos lugares que amo, mas dos quais estou longe. Acho que nunca me sinto tão feliz e tão realizada como quando estou viajando, mesmo que eu tenha uma facilidade incrível pra passar mal longe de casa , o que me faz estar sempre atrás de canja de galinha (o estômago, amigos, ele é muito fraco) (e não sei andar em meios de transporte alternativos, tipo barco, sem precisar de remédio) (e o remédio também me deixa desconfortável). Talvez  eu goste tanto de estar longe de casa  de tempos em tempos porque não existe jeito melhor de ser lembrada do quão grande – do quão enorme – o mundo é e de como ele está  cheio de coisas e pessoas para descobrir.