sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Favoritos em 2014

Então o ano já está quase acabando. Ele passou, é claro, assustadoramente rápido. Espero que leve embora todas as coisas ruins que trouxe, e que 2015 seja melhor. Que eu seja melhor, também, que é a parte mais importante.

Retrospectivas realmente  não viriam a calhar esse ano por motivos de que é melhor não pensar demais a respeito dele, mas aproveito a oportunidade para deixar aqui minha lista de coisas favoritas de 2014, porque acho que esse é um jeito bacana de indicar ótimos títulos dos quais eu provavelmente não falei aqui antes (e acabaria não falando depois).


Dos livros:
Li mais esse ano do que no ano passado, mas menos do que em muitos anos anteriores. Voltar a ler com mais afinco é algo que eu quero muito fazer no ano que vem. Nesse ano, li bastante coisa boa, por isso fiquei surpresa ao chegar no fim do ano e perceber que só tinha dado cinco estrelas pra um livro - isso me fez querer reavaliar tudo (coisa que eu não vou fazer).

Na categoria clássicos, Jane Eyre, da Charlotte Brontë. Achei que ia detestar, mas amei. Muito mais do que um romance dramático com literatura gótica, o melhor livro escrito por uma Brontë é um coming of age fantástico e Jane é um belo protótipo feminista do começo do século XIX (só não dá pra desconsiderar o contexto, né, gente).

Uma curiosidade: Jane, mesmo apaixonada, diz umas 937 vezes que Sr. Rochester não é bonito. Bom trabalho, hein, galera do casting.

Na categoria de ficção contemporânea, mas que também é histórica, Sweet Tooth (ou Serena), do Ian McEwan. Um ótimo romance de espionagem, mas nada James Bond. Tem uma discussão bem bacana sobre livros e ficção e um final que possivelmente te surpreenda, se você já não estiver esperando que McEwan faça isso.

Li só dois chick-lits, um horrível e o outro é Someday, Someday Maybe (ou Quem Sabe um Dia), da Lauren Graham. Menos hilário do que sensível, é uma daquelas histórias que partem um pouquinho nosso coração, mas também o aquecem. Fiquei muito comovida com uma passagem mais para o final do livro que faz referência à história da Franny de Franny and Zooey, do Salinger - e acabei lendo esses dois contos também. Muito bons, e me fizeram acreditar que preciso dar uma nova chance a O Apanhador no Campo de Centeio (mas o original) (alguém precisa publicar uma tradução nova desse livro).

Na categoria YA, ficam dois. The Raven Boys, da Maggie Stiefvater, do qual falei aqui, e que é meu tipo favorito de young adult, com todas as coisas que eu mais gosto neles (enfoque em relações familiares e relações platônicas, romance lento e sensível, crescimento e desenvolvimento - é minha coisa favorita em personagens adolescentes). O outro é Jellicoe Road, da Melina Marchetta, que é construído brilhantemente, tem uma história original e sensível e lindamente humana e triste.

Dos filmes:
Para variar, comecei o ano assistindo a muitos filmes e terminei assistindo a pouquíssimos. Mas teve bastante coisa boa.

Assisti a duas ótimas produções da HBO, que faz filmes-para-tv que poderiam muito bem passar no cinema. Hemingway & Gellhorn conta a relação entre, bem, Ernest Hemingway e Martha Gellhorn. Começa melhor do que termina, e achei particularmente sensacional o primeiro terço do filme, em que eles estão cobrindo a Guerra Civil na Espanha, mas o filme de modo geral é bem bacana e me deixou morrendo e vontade de ler um pouco do jornalismo da Gellhorn. O outro foi Temple Grandin, cinebiografia da pesquisadora de mesmo nome, que é autista e também extremamente inteligente - e uma profissional muito bem sucedida. O filme em si é bacana, assim como a história da Temple, mas o mais sensacional é a atuação absurda da Claire Danes.

Na categoria heartwarming e quero rever sempre ficam Questão de Tempo (falei um pouquinho aqui) e Mesmo se nada der certo. Ambos um amor, despretensiosos, com ótimas trilhas sonoras e locações bonitas. Para rever naqueles dias não muito bons e terminar com um sorriso no rosto. Também dá pra incluir nessa categoria Cinderela em Paris, estrelado pela Audrey Hepburn e pelo Fred Astaire. Gente. É um musical. Eles viajam pra Paris. Eles cantam na livraria. Não tem nem o que dizer, só sentir.


Se vamos falar de coisas que definitivamente não aquecem o coração... 12 Anos de Escravidão  - esse ano foi tão errado que devo ter visto no máximo metade dos filmes indicados ao Oscar, mas 12 Anos mereceu levar, e, se é um tema já bastante explorado, é porque precisa ser. Também vi o dinamarquês A Caça, que trata de um tema bem difícil; mas achei que o filme lidou bem com ele. A caça que acontece no filme é bem assustadora, mas ao mesmo tempo é compreensível. Por fim, também tem o russo O Sol Enganador. Que filme maravilhoso! Os russos, descobri, são um povo muito vívido e todas as emoções são exploradas nos extremos. É histórico, tem velhos romances voltando à tona, família enorme, uma criança inteligente e sensível e tem, pra variar, tragédia.

Meu favorito lançado esse ano foi provavelmente Garota Exemplar. Que suspense, que tensão, que atuações, que cenas que me fizeram precisar baixar a cabeça um pouquinho pra voltar a respirar direitinho (não estou brincando. Fraca, eu sei). E que ótimas discussões ele suscitou internet afora.

Sobre um filme relativamente velho (aliás, me contem quais são os clássicos favoritos de vocês, porque eu provavelmente não vi, mas quero!): assisti esses dias Rede de Intrigas e achei tão sensacional. É incrível que ele tenha quase quarenta anos e, ainda assim, continue soando muito atual quando você assiste, tanto em sua crítica quanto o que ele critica na televisão e no jornalismo.

E sobre animações: Universidade Monstros! Morri de amores. A representação do cotidiano universitário ficou fantástica, o filme é divertido e, quando parece que vai cair no clichezão básico desse tipo de narrativa, ele vai lá e faz diferente. O final me agradou demais. Gosto muito de como eles exploraram a ideia de assustar adultos (porque, lembram, os monstros não conseguem assustar quem já cresceu?) e também a ideia de começar por baixo para alcançar o seu objetivo.


Da tv:
Comecei poucas séries esse ano, mas ganhei uma eterna favorita mesmo assim. Nada que vi esse ano se compara a Friday Night Lights, que inclusive ganhou post no blog. Difícil acreditar que uma série sobre um time de futebol americano me faria ficar tão desanimada a respeito de todas outras coisas que existem na televisão. Não tem nada parecido, e é uma pena, porque eu continuo atrás de uma série para preencher o vazio que o fim de FNL deixou na minha grade. Dizer que é linda e que chorei é pouco.

Te amo, Coach Taylor.

Da música:
Eu gosto muito de música, mas raramente estou esperando pelo lançamento de algum álbum, e tem pouquíssimos artistas ou bandas dos quais eu conheço a discografia inteira. Mas esperei ansiosamente por 1989, e ainda que não tenha amado na primeira vez que ouvi, só escutei ele por um mês inteiro, praticamente. Agora já passou um pouco, mas eu ouço Style New Romantics toda hora (acho que de Wildest Dreams e Blank Space já enjoei um pouquinho) (e as mais agridoces, tipo This Love e Clean, não dá pra ouvir demais, apesar de maravilhosas, e de serem as mais parecidas com a TayTay das antigas, que eu adoro).

E também amei amei amei as músicas originais de Mesmo Se Nada Der Certo. Especialmente Tell Me If You Wanna Go Home. Escuto toda hora também, e estou até agora morrendo de vontade de encontrar com o Mark Ruffalo por aí pra gente gravar um CD nas ruas movimentadas de Porto Alegre Nova York.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Maggie Stiefvater e a arte de escrever YA

“Minha mãe gostava de dizer que certas coisas acontecem por uma razão, que às vezes os obstáculos estão lá para impedir que você faça algo estúpido. Ela me falou isso muitas vezes. Mas quando ela dizia isso ao Gabe, meu pai falava para ele que às vezes só significa que você precisa tentar com mais esforço.” (The Scorpio Races)
“Mum liked to say that some things happen for a reason, that sometimes obstacles were there to stop you from doing something stupid. She said this to me a lot. But when she said it to Gabe, Dad told him that sometimes it just means you need to try harder.”
Já é uma história velha: eu gosto de literatura young adult e defendo incessantemente. Comecei a última resenha que fiz aqui, da trilogia da Kiera Cass, falando sobre isso. Acontece que YA já foi o gênero que mais li, mas hoje não é mais. Nem todos os seus subgêneros me agradam ou conseguem chamar a minha atenção, e, diferente do que eu fazia uns anos atrás, sempre penso algumas vezes antes de comprar um novo.

Eu, por exemplo, relutei por dois anos em ler The Raven Boys (publicado como Os Garotos Corvos no Brasil), ainda que ele tenha sido escrito pela autora de um dos meus livros favortíssimos da vida, que eu já indiquei aqui em outras oportunidades (estamos falando, é óbvio, de The Scorpio Races ou A Corrida de Escorpião). Por quê? Porque é sobrenatural, que às vezes parece ser um gênero já completamente esgotado depois da avalanche de publicações parecidas que aconteceram pós-Crepúsculo. Porque eu não gosto muito do título. Porque uma das capas do livro tem uma ilustração de quatro garotos, metade deles meio engomadinhos, e eu fiquei me perguntando se eu estava prestes a ler um pentágono amoroso, coisa que eu não estava muito a fim de fazer.

Mas essa desconfiança obviamente não foi justificada. Não apenas gostei muito como emendei uma leitura na outra, citei o livro por aqui, e só demorei para ler a terceira parte da série (que terminei hoje no ônibus) porque o fim de semestre deu as caras. Tentando ser sucinta, eu diria que The Raven Cycle é uma saga excelente (mesmo que o terceiro livro seja um pouco mais fraco) que mistura mitologia complexa e diferente com coming of age com família com conflitos familiares com romance com traumas com desigualdade de condições com personagens lindamente desenvolvidos, tudo isso emoldurado por uma narrativa incrível.
“Quer dizer que você não é um crédulo?”
“Eu acredito na mesma coisa que eles” digo, com um movimento do queixo em direção à cidade e a St. Columba’s. “Só não acredito que você o encontrará dentro de um prédio.” (The Scorpio Races)
“So, you’re not a believer?”
“I believe in the same thing they believe in” I say, with a jerk of my chin toward the town and St. Columba’s. “I just don’t believe you can find it in a building.”
"Narrativa incrível" é o estilo de escrever da Maggie Stiefvater. Meu favorito entre os livros dela segue sendo o dos cavalos mitológicos com potencial assassino, talvez simplesmente porque é um volume único com começo-meio-fim, tudo num único livro. Mas a série mais recente é tão incrivelmente melhor do que Os Lobos de Mercy Falls (que segue sendo a mais popular, especialmente no Brasil, creio eu) - e tão diferente! - que é até difícil de acreditar que é a mesma autora. E eu digo isso como alguém que, na época, deu 5 estrelas douradas para Calafrio (hoje tiraria uma ou duas delas). The Raven Boys só lembra o outro livro naquilo que ele tinha de melhor.

Uma das coisas que eu mais gosto nas histórias da Maggie, é que elas quase sempre têm uma old soul entre os adolescentes, e do modo como isso fica evidente tanto pelas coisas que eles fazem quanto pelas coisas (e por como) eles dizem. É uma delícia de ler, possivelmente porque eu sempre brinquei que secretamente tenho oitenta anos. Mas isso é só uma parte (porque Calafrio é o único livro que é limitado à dinâmica do par de personagens principal). Numa mesma história você também tem um personagem fantástico que te presenteia com essa fala maravilhosa, mandando o irmãozinho mais novo não falar palavrão: “Don't fucking swear.”*

Que personagens maravilhosos Maggie escreve. Imperfeitos e cheios de conflitos internos e tão... verdadeiros. Ela estabelece tão bem a relação entre cada um deles e o modo como os comportamentos e atitudes mudam um pouquinho dentro de cada uma delas. E as relações familiares! Pais ausentes ou filhos órfãos não existem dentro das histórias porque é jeito mais fácil de focar nos dramas adolescentes. Aliás, se tem uma coisa que The Raven Cycle faz muito bem é apresentar e opor diversas dinâmicas familiares e qual é o resultado de cada uma delas.
“Acho que você está certo, Sr. Kendrick” diz George Holly, os olhos fechados. Seu rosto está virado para o vento, ligeiramente inclinado para frente para não ser empurrado. Suas calças não estão mais imaculadas; há vestígios de barro e esterco na parte da frente. Seu chapéu vermelho ridículo foi soprado para trás dele, mas ele não parece ter percebido. O vento têm seus dedos nos seus cabelos claros e o oceano canta para ele. Esta ilha levará você, se você deixar.
Eu pergunto, “Estou certo sobre o quê?”
“Posso sentir Deus aqui fora.” (The Scorpio Races).
“I think you’re right, Mr. Kendrick” George Holly says, eyes closed. His face is to the wind, leaning forward slightly so that it doesn’t tip him. His slacks are no longer pristine; he’s tracked bits of mud and manure up the front of them. His ridiculous red hat has blown off behind him, but he doesn’t seem to notice. The wind has its fingers in his fair hair and the ocean sings to him. This island will take you, if you let it.
I ask, “What am I right about?”
“I can feel God out here.”
Apesar disso tudo, possivelmente eu não estaria escrevendo esse post hoje se não fosse pelo modo como Maggie conta essas histórias ótimas e improváveis. Sim, tem todos os elementos incríveis que conseguem fazer histórias sobre lobisomens/rockstars/estrelas de reality show serem pungentes e histórias com cavalos assassinos a buscas por reis adormecidos por seiscentos anos serem completamente humanas.

Mas tem também a narrativa. As descrições longas e cheias de imagens vívidas que fazem com que a ilha de Thisby, ou Mercy Falls, em Minnesota, pareçam lugares reais. O modo como as emoções dos personagens são bem representadas, seja nas narrativas em primeira pessoa, seja nas em terceira - que, aliás, têm sido muito acertadas, e melhores do que as trocas de narrador dos livros anteriores. Mas, sério, as descrições. Quanto mais eu leio, mais eu tenho certeza de que saber equilibrar estilo e enredo é um dos elementos que mais me conquistam em literatura.
“Ela usava um vestido que Ronan achou parecido com um abajur. Independente de qual era o tipo de lâmpada a que ele pertencia, Gansey claramente gostaria de ter uma.” (The Dream Thieves)
“She wore a dress Ronan thought looked like a lampshade. Whatever sort of lamp it belonged on, Gansey clearly wished he had one.
Tem uma infinidade de maneiras com que você pode deixar transparecer que o personagem cujo ponto de vista está sendo narrado percebe o interesse do amigo dele numa garota, ou a percepção dele a respeito daquela garota em particular. Era possível, por exemplo, usar praticamente as mesmas palavras que eu acabei de usar. Mas aí essa passagem, que é ótima e na frase seguinte (que eu não citei aqui porque poderia ser um spoiler moderado) fica ainda melhor, seria completamente esquecível e mundana.

Do mesmo jeito, tem uma infinidade de maneiras de estabelecer um momento que não só é um feriado relevante por si só no mundo daqueles personagens, mas que também vai ser de grande importância para o avançar da trama:
“Durante vinte e uma horas, Adam Parrish e o Homem Cinza dormiram. Enquanto eles dormiam sem sonhar, Henrietta se preparava para o Quatro de Julho. Bandeiras escalavam mastros em concessionárias de automóveis. Avisos sobre o desfile aconselhavam motoristas com pretensões de estacionar a repensarem suas escolhas. Nos subúrbios, fogos de artifício eram comprados e sonhados. Portas eram trancadas e, mais tarde, arrombadas. Em Fox Way, 300, Adam silenciosamente completou dezoito anos. Calla foi chamada em seu escritório para se assegurar de que nada importante havia sido levado em um arrombamento. Na Monmouth Manufacturing, um Mitsubishi branco com um molho de chaves na ignição e uma ilustração de faca na lateral apareceu no estacionamento durante a noite. Carregava um bilhete que dizia, Este aqui é para você. Bem do jeito que você gosta: rápido e anônimo.” (The Dream Thieves)
“For twenty-one hours, Adam Parrish and the Gray Man slept. While they slept without dreaming, Henrietta prepared for the Fourth of July. Flags climbed poles over car dealerships. Parade signs warned would-be parallel parkers to rethink their choices. In the suburbs, fireworks were bought and dreamt. Doors were locked and, later, busted open. At 300 Fox Way, Adam quietly turned eighteen. Calla was called into her office to make certain nothing important had been stolen during a break-in. At Monmouth Manufacturing, a white Mitsubishi with a set of keys in the ignition and a knife graphic on the side appeared in the parking lot overnight. It bore a note that read, This one’s for you. Just the way you like it: fast and anonymous”
Ainda estou tentando criar o hábito de marcar as minhas passagens favoritas em livros para poder encontrá-las depois. Por outro lado, teria sido mais difícil escolher as citações para intercalar com o post. Espero que essas, que são algumas das que eu mais gosto, falem por si mesmas. Se vocês não conhecem as obras da Maggie (ou se leram Calafrio e não gostaram porque tem muito mimimi), deem uma (nova) chance. É uma autora que só adiciona qualidade às prateleiras da seção de young adult das livrarias, e isso me deixa muito feliz.

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PS: Porque eu leio muito mais em inglês do que em português (por uma combinação de motivos que incluem não gostar de esperar pela tradução e preferir, sempre que posso, ler o original), todas as citações do post foram traduzidas por mim. Como vocês sabem, essa é a minha área de estudo, e críticas são sempre bem-vindas, de verdade.

* Não traduzi essa porque é fácil entender o espírito. A citação vem de The Dream Thieves (Os Ladrões de Sonhos no Brasil).

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

One Lovely Blog Award

Acho que já ficou bem claro que eu adoro um bom meme - principalmente quando não sei sobre o que postar, mas também porque eles são um modo simples de escrever um post mais descontraído onde a gente fala sobre coisas que não necessariamente saberia como estruturar num texto com começo-meio-fim. A Thay me indicou pra esse aqui e achei bem bacana, principalmente porque ele me deu a oportunidade de pensar um pouco mais sobre mim enquanto blogueira, e sobre essa estranha experiência de escrita que é esse blog - uma coisa que nunca tinha feito antes.

1. Por que decidiu criar um blog e quando começou?
Confesso que quando criei meu primeiro blog, lá pelos onze, doze anos, foi só porque um grupo de amigas minhas também tinham (depois disso, poucas vezes fui suscetível à peer pressure, juro). Eu não sabia direito como funcionava a coisa e logo abandonei aquele blog: aliás, imaginem os posts. Dito isso, voltei a blogar umas 500 vezes ao longo de todos esses anos. Porque toda vez que eu tento desistir, minha vontade de escrever me puxa de volta. Eu nunca vou ser livre.

2. Quais benefícios o blog te traz?
O benefício de falar o que eu penso, principalmente quando eu estou morrendo de vontade de comentar alguma coisa e sei que ninguém vai estar a fim de ouvir. É o caso, por exemplo, daquele post longuíssimo sobre o final (traumático) de How I Met Yout Mother - é muito bom ter onde reclamar longamente sobre as coisas. Ou refletir sobre elas. Ainda não tenho forças pra falar sobre certos assuntos mais sérios aqui - tipo sobre as eleições ou as respostas horrendas da internet a vídeos sobre assédio na rua -, mas outra coisa que o blog me trouxe foi uma rede muito grande de outras pessoas que escrevem, sim, sobre esses assuntos e que me ajudam a pensar melhor sobre eles. Fora isso, eu gosto muito de escrever, e esse é o espaço mais livre que eu tenho para exercitar minha escrita. Ainda que ela precise melhorar muito, sinto que, desde o começo, já avancei um tantinho.

3. Qual é o post mais acessado?
É meu top 10 de episódios de Gilmore Girls, e que bom que elas chegam aqui através dele - quer dizer, essa série é uma das minhas coisas favoritas na vida. Dito isso, não tenho certeza de que selecionar só dez episódios foi uma boa ideia: dez não é um número suficiente. Aliás: quando vamos fazer uma maratona coletiva das Gilmore?

4. Você usa as redes sociais?
Não pro blog. O máximo que eu faço é divulgar a maior parte dos meus posts pelo Twitter. Também uso o Tumblr (#fangirl), vez que outra o Instagram, e as redes sociais que servem pra marcar as infindáveis horas que passei lendo, no Goodreads, vendo filme, no Filmow. Não vou linkar o feice pois odeio muito aquela rede.

5. Como o blog tem evoluído?
Acho que o blog em si não tem evoluído muito. Tenho menos leitores aqui do que no meu extinto blog literário, mas não dou tanta importância pra isso, pois seja lá quantos comentários um post tenha, se eles forem tão... dedicados (?) como costumam ser, eu fico extremamente feliz. Queria poder dizer que ao longo da vida me tornei uma blogueira mais regular, que posta consistentemente, sempre atualizada, mas... não é assim, né?

6. Já viveu algum fato importante por causa do blog?
Fato importante não. Meus blogs sempre foram e sempre serão blogs pequenos, que não me dão nenhum retorno financeiro e nem me mandam a lugar nenhum (fisicamente, quero dizer). Mas, é claro, sou muito grata por ter conhecido várias pessoas bacanas por causa da blogosfera! Os comentários de vocês, ou a presença de vocês nas minhas timelines, são muito valiosos. Ah, e pra não esquecer: por um curto período de tempo, fui hóspede do Just Lia, quando a Lia tinha vários hóspedes. Eu sempre adorei esse blog, que acompanho (mesmo que menos) até hoje, e fiquei emocionadíssima quando ela me convidou.

7. De onde nasce a inspiração para escrever e continuar com o blog?
Da vida, do universo e tudo mais. Não, sério. De um livro ou de alguma outra obra de ficção, de prestar atenção em pessoas na rua que eu provavelmente nunca mais vou ver, do aplicativo de dicionário do meu telefone, da falta de atualização do próprio blog... Ou dos memes, quando falta assunto, haha.

8. O que você tem aprendido a nível pessoal e profissional esse ano?
A nível profissional, tenho aprendido a ser menos receosa nas minhas traduções, especialmente quando elas são do português para o inglês, mas mesmo no par inverso. Tive muitas matérias práticas esse ano e tem sido extremamente proveitoso. Acho que a nível pessoal é sempre muito, muito mais difícil de refletir a respeito, porque a gente sempre aprende um apanhado de coisas que dificilmente consegue colocar em palavras. Mas o mais importante mesmo é que estou aprendendo cada vez mais a não me importar com a opinião alheia e fazer as coisas porque eu quero, porque me sinto bem. E a lidar um pouquinho melhor com o milhão de coisas que eu preferia não fazer, mas preciso. E faço.

9. Qual é sua frase favorita?
Be kind, for everyone you meet is fighting a hard battle.
(Atribuem essa frase a todas as pessoas do mundo, mas não sei de quem é. De qualquer maneira, quero colar isso na minha parede. Be kind. Be kind. Be kind.)

10. Qual conselho você daria para quem está começando agora no mundo do blogs?
Fazer isso porque ama. Porque ama escrever, fotografar, desenhar... Porque ama livros, porque ama cinema, porque ama moda, porque ama arte, porque ama pensar sobre as relações humanas. Blogar porque você precisa compartilhar alguma coisa com alguém. Acho que o única jeito de um blog dar certo é porque você ama o espaço que tem. Deve ser bem mais difícil se a intenção por trás dele é ganhar alguma coisa.

11. O que os blogs que você vai indicar tem em comum?
Não vou indicar nenhum blog porque já vi esse meme em todos os cantos e faz um tempinho que ele vem circulando, então acho que muita gente já respondeu. Mas se eu fosse indicar, o que os blogs teriam em comum é o fato de serem super bem escritos por pessoas super bacanas que tem insights ótimos sobre a vida e seus derivados (ou: a ~arte), e elas estão por aqui. De qualquer modo: sintam-se à vontade para responder, e me avisem se fizerem isso pra que possa ler!