terça-feira, 23 de setembro de 2014

Bem mais do que futebol americano, ou: aquele post obrigatório sobre Friday Night Lights

Uma cidadezinha do Texas. Os Panthers, o time de futebol americano da escola de ensino médio da cidade, são a paixão dos moradores. Tem um cara, divorciado há pouco, que vive e respira futebol americano. Os filhos pré-adolescentes dele, que foram morar com a mãe depois da separação, aparecem para fazer uma visita. O menino chega com uma camiseta com o escudo da CBF (sim) e diz pro pai que agora gosta de futebol (o nosso, não o deles). Tudo bem que as crianças estão passando por aquela fase em que todo mundo fica meio insuportável vez que outra, e elas ainda estão aprendendo a lidar com o divórcio dos pais. Mas o garoto vai para o jogo de sexta-feira à noite dos Panthers com a maior cara de bunda do mundo. Aí o jogo vai acontecendo, os Panthers fazem boas jogadas, a torcida se empolga, o garoto começa a sorrir e a torcer e, no fim, as crianças dizem que se divertiram muito.
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Essa trama acontece lá pela metade da terceira temporada e, quando assisti, pensei na hora que aquelas crianças poderiam ser uma boa representação da minha relação com Friday Night Lights e com esse esporte bizarro dos touchdowns. Comecei a assistir à série quando a Copa do Mundo se encaminhava para o seu final e eu, que tinha acabado de entrar em férias, estava atrás de uma nova distração. O episódio piloto nos apresenta aos vários personagens e à atmosfera da cidade de Dillon, além da relação de amor da dela com o futebol americano, parecida com a nossa com o futebol: lá todo mundo fecha o comércio e outros serviços para assistir aos jogos de sexta-feira à noite, todo mundo é especialista e tem sugestões sobre como treinar o time e todo mundo as comunica ao técnico quando encontra com ele pela cidade.


Agora, sintam o drama, que começa a ser estabelecido logo no piloto: o quarterback do time é uma estrela e o grande nome do time. No meio do primeiro jogo da temporada, ele se machuca e precisa ser substituído. Não tem ninguém tão bom quanto ele pra entrar no lugar, e o campeonato acabou de começar. O time inteiro está tenso e amedrontado. A pressão em cima do coach Taylor é tão grande que já tem gente mandando ele fazer as malas depois de um jogo decepcionante.

Ainda que tudo isso seja muito bem feito, minha reação inicial à série foi reservar um pouco de descrença em relação a tudo que ela tinha pra me oferecer depois. Além de, é claro, me perguntar como é possível que todas essas pessoas se empolguem tanto e gostem tanto de um esporte tão... chato. Corta o futebol americano pra uns três minutos por episódio que fica mil vezes melhor, pensei.

Mas aquele clichê é verdadeiro: acima de tudo, é uma história sobre pessoas. Aos poucos você vai percebendo que os Panthers são só um pano de fundo pra falar sobre essas pessoas, que estão todas ligadas ao time de uma forma ou de outra. Conforme os episódios vão passando, você começa a se importar com elas. Com o técnico do time que está tentando manter o grupo de pé em meio às dificuldades e que precisa aguentar a desconfiança da cidade toda porque perdeu um jogo. Ou com a família dele, que tenta se estabelecer naquela comunidade, mas que sabe que vai ter que segui-lo para onde quer que ele vá se tudo começar a dar errado. Ou o menino que era estrela e já tinha todo o futuro planejado e de repente é confrontado com a impossibilidade desses planos. Com o outro, que precisa substituir o ídolo da cidade, mas é completamente desacreditado por todo mundo e ainda precisa trabalhar, precisa cuidar da avó doente e ser um adulto responsável quando ele ainda é adolescente. Com o cara à primeira vista meio babaca que acredita ter sido o responsável pela lesão da estrela do time. Com a garota que tem medo de criar expectativas pro futuro porque acha que nunca vai conseguir conquistar nada e "quebrar o molde".

Os roteiristas de FNL têm um grande carinho por seus personagens, que nunca são usados como meras ferramentas para desenvolver o enredo - não, eles são o foco. Nenhum é privado de desenvolvimento e crescimento, e todo personagem importante recebe uma despedida digna. Porque em uma série com tantos protagonistas adolescentes que têm sonhos muito maiores do que aqueles que a pequena Dillon pode oferecer, muitos precisam, eventualmente, partir, e a série permite que eles façam isso.

E aí você começa a perceber que o futebol também é, pra muitos daqueles garotos, uma chance pra alcançar esses sonhos maiores do que uma cidadezinha do interior do Texas. Ou pra, dentro de Dillon mesmo, dar mais sentido às suas próprias vidas - porque ali eles são bons e têm um objetivo pelo qual trabalhar. Coach Eric Taylor, personagem maravilhoso que rendeu um Emmy pro Kyle Chandler, inspira esses garotos dentro do campo e nos vestiários, mas ele também se preocupa em encaminhá-los do lado de fora também. É a figura paterna que muitos personagens da série não têm. Tami Taylor, interpretada pela fantástica Connie Britton, começa como apenas a esposa do técnico e acaba tendo um papel importante na vida de vários desses adolescentes porque ela sempre se importa. Através desses adolescentes, a série apresenta diversos temas, tipo a desigualdade social e a falta de oportunidade que muitos desses jovens enfrentam, o preconceito racial, o abandono em que muitos vivem por causa dos pais ausentes e a influência que isso têm em suas vidas, as complicadas - e diferentes - relações familiares. Além, é claro, dos temas típicos da adolescência, em geral bem explorados.

Por causa desses personagens maravilhosos para quem os Dillon Panthers têm tanta importância, eventualmente comecei a me empolgar até mesmo com o campeonato estadual. Já na primeira temporada eu estava envolvida e tinha a sensação de que me sentiria pessoalmente ofendida se os meninos de Dillon não ganhassem aquele raio de campeonato no final. Bem como aquele garoto vistando o pai, comecei apática e terminei torcendo.


Clear eyes, full hearts, can't stop crying, como diria a internet.

Já falei inúmeras vezes por aqui que não é muito difícil me fazer chorar, mas FNL conseguiu fazer mais e encher meus olhos d'água numa sequência de uns dez episódios seguidos (e em mais uns outros dez perdidos pelo resto da série, provavelmente). Isso tudo sem ser manipuladora, e pouquíssimas vezes com momentos grandiosos demais, coisa que o roteiro e direção da série quase nunca se permitem.

Aí, em determinado ponto, às vésperas de um jogo muito importante, uma das personagens lê em voiceover um trecho do ensaio que enviou como parte de sua inscrição na universidade. É uma coisa que ela nunca se permitiria fazer lá no começo, por medo de não conseguir e por causa de como ela aprendera a se enxergar graças à imagem que os outros tinham dela, e você percebe o quanto a personagem cresceu. Enquanto ela lê, a série te oferece uma montagem com os momentos pré-dia-de-jogo vividos pelos diversos protagonistas. Ok, é um daqueles raros momentos grandiosos e um pouquinho manipuladores a que a série se permite. Mas é lindo. E você lembra que Friday Night Lights é bem mais do que futebol americano. Ganhando ou perdendo, vai ficar tudo bem. Isso nunca foi o mais importante.
Dois anos atrás, eu tinha medo de querer coisas. Imaginava que querer levaria a tentar e tentar levaria ao fracasso. Mas agora descobri que não consigo parar de querer. (...) Não é que eu ache que vou conseguir todas essas coisas. Eu só quero ter a possibilidade de consegui-las.
FNL é uma série sem pretensões grandiosas que vai te conquistando aos poucos. Teve seus enredos pouco inspirados, boa parte da segunda temporada foi tão fraquinha que a própria série buscou enterrá-la do jeito que foi possível, algumas atuações são bem medianas, principalmente quando comparadas com o pessoal mais talentoso. Mas que história linda, linda e humana, que poucas vezes perdeu a aura de realismo e tão respeitosa com o desenvolvimento de seus personagens. Na linguagem de Eric Taylor, you listen to me, let me tell you something, I can promise you right  here, right now, que tem grandes chances de você morrer de amores por esse mundo de Dillon também, se estiver disposto a dar uma chance. Lá no começo, eu não imaginava que Friday Night Lights me faria voltar ao pouco saudável binge-watching. E, principalmente, eu não acreditaria se alguém me dissesse que eu estaria escrevendo um comentário tão elogioso sobre uma série com foco tão grande num time de futebol. Hoje, porém, eu só posso dizer isso: vem, gente!


O tweet é do Seth Meyers. Mas poderia muito bem ser meu, que só tenho mais um episódio antes do fim.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Agosto sem posts e segundo semestre do desânimo

Quase por milagre, desde fevereiro esse blog não passava um mês sem post. Julho que, olha só, inaugurou esse zicado segundo semestre de 2014, teve três (!) posts. Três pode parecer pouca coisa, mas tudo depende do seu ponto de vista. Pra mim, com minha tradição de longos textos de quase duas mil palavras sobre finales horríveis de séries sobre caras chamados Ted Mosby, três posts é bastante.

Ano passado, vim até aqui justo em agosto para dizer que o blog não estava abandonado e que eu eventualmente apareceria aqui de novo (e para compartilhar um porquinho tomando sorvete). Esse ano, nem dei o ar da graça. Em outubro de 2013, vim falar um pouco mais de blog, da vida e tudo mais, e do porquê de ele estar sempre abandonado. Afinal, eu gosto de escrever, e eu gosto de ter esse espaço pra fazer isso. Ele não é uma obrigação, mas mesmo assim acaba entrando na lista das coisas deixadas pra depois porque: procrastinar sempre vem antes. Só que, ironicamente, não tenho mais feito tanto disso. Propostas de ensaio sobre cultura norte-americana à parte, está tudo bem bonitinho e em dia no quesito compromissos.

Mas o blog, pobre dele, anda às moscas. E, pior ainda, nesse meio tempo não devo ter comentado em mais do que meia dúzia de posts em toda a internet (e vocês sabem que eu gosto de comentar, vide os longos textos que eu deixo nas caixas de comentários dos blogs alheios) (desculpa qualquer coisa, é só avisar).

É engraçado. Às vezes, no ônibus, ou na rua, ou quando estou tentando prestar atenção na leitura de um texto, eu penso ou vejo alguma coisa sobre a qual gostaria de comentar aqui. Daí chego em casa, sento na frente do computador e mal consigo compor um Tweet - quanto mais um post.

Esse sentimento começa mais ou menos em abril. E só passa depois de dois meses longe.

A questão é que esses dias me peguei pensado que, quanto mais o ano passa, menos ânimo eu tenho. Pra escrever sobre nem precisar de viagem no tempo, ou pra finalmente sentar e digitar a indicação empolgada de Veronica Mars, pra complicar um projeto de pesquisa simples com a intenção de deixar ele mais interessante (ainda que mais trabalhoso), pra sair pra caminhar no sol e calor com o objetivo de resolver pendência...

Acho que o segundo semestre é problemático porque, embora janeiro e fevereiro não tenham propriedades curativas, não façam mágica e na verdade sejam bem mais desagradáveis do que outros meses por motivos de extremo calor, o jeito que a gente mede o tempo é esse: janeiro é o começo e dezembro é o fim. O ano começa, passa, termina e eu sempre tento me convencer de que no próximo ano vou melhorar enquanto ser humano e tentar mudar aquilo que não me agrada porque, seguindo um bom conselho que vi na internet por aí: "se você não gosta de onde você está, mova-se. Você não é uma árvore". É ridículo? É. Mas é assim que funciona.

A gente quantifica e marca o tempo e embora a vida não entre num novo ciclo a cada começo de ano, por algum motivo, se você não for muito cético, a impressão que fica é essa. É ridículo o número de vezes em que eu já empurrei coisas para o próximo ano (como se janeiro de fato fosse um mês mágico) ao invés de resolvê-las e encará-las de uma vez. O começo do ano traz uma energia diferente. Uma sensação de que existem muitas possibilidades (e eu já falei disso por aqui também). O fim do ano traz cansaço, e talvez a sensação de falha porque eu não cumpri as minhas ~metas~, mesmo que eu tenha desistido há tempos de escrever resoluções de Ano Novo por causa disso.

Não é e nem nunca foi uma resolução de Ano Novo manter esse blog atualizado. Não acho que o que eu escrevo é, assim, particularmente interessante, e muito menos necessário (mais sobre isso nesse post incrível, que não é meu, e sim da da Milena, mas com o qual eu concordo completamente). Mas o diálogo com qualquer pessoa que dedica uns minutinhos do seu tempo pra ler o que eu escrevo e deixar uma resposta é, sim, importante. Compartilhar o que eu tenho visto de mais bonito e bacana por aí (seja ficção ou seja realidade) é necessário. Mesmo que seja só pra mim mesma. Eu queria especialmente poder sempre compartilhar aquilo que me deixa feliz, que faz bem ou que me faz pensar. Mas não adianta: quanto mais o ano passa, mais eu me faço aquela pergunta horrenda sobre "qual é o sentido?", menos me empolgo pra fazer isso. O espírito só volta a se animar em cem por cento quando o semestre está perto de terminar e as propagandas de Natal do Zaffari* começam a passar na televisão e eu estou liberada pra ouvir cover pop de música natalina brega. Porque mesmo com consumismo (etc etc), mesmo com verão de quarenta graus, mesmo que os dias 24 e 25 em si não sejam empolgantes, o que tenho a dizer sobre dezembro é que: 'tis the season to be jolly.

Com tudo isso, não queria chegar a nenhuma conclusão lógica ou natural a partir de uma linha de raciocínio (que na verdade não existe). Só queria dizer que: estou viva, estou bem, não estou lendo mais nada e estou com medo de ter virado uma daquelas pessoas cuja concentração dura só dez minutos, mas estou por aqui. Eu obviamente vou aparecer de novo em breve pra falar de Friday Night Lights - já que eu gosto de compartilhar as coisas incríveis que eu vejo por aí, é meu novo projeto de vida fazer alguém assistir. Aguardem.
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* Esse post não é um publieditorial - estou só seguindo a linha de compartilhar-as-coisas-boas -, mas se você não tem a felicidade de assistir a esses comercias na televisão, eu recomendo demais (demais!) perder uns minutinhos vendo. Eles devem ajudar, de modo subliminar, a fazer pessoas trocarem de supermercado, mas não têm nada a ver com compras e supermercado e são das coisas mais lindas que existem. Especialmente a última, de 2013, e a de 2005.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Filmes que eu amo rever

O último filme que assisti foi A culpa é das estrelas, no comecinho de junho. Depois disso veio aquele evento que ocupou todas as minhas tardes livres por um mês; daí, precisei (re)aprender a assistir outras coisas e comecei a ver Friday Night Lights: contra todas as previsões, estou amando essa série sobre futebol americano, quem diria. Depois fui viajar. Nesse meio tempo eu, que via uns oito filmes num mês desanimado, não assisti a nenhum.

Foi refletindo sobre isso, e sobre como eu poderia voltar a ser a pessoa empolgada com cinema que já fui (até o mês passado, quer dizer), que eu resolvi falar um pouquinho sobre os filmes que eu estou sempre revendo. Passo por fases: às vezes só quero ver comédia romântica leve e feliz, às vezes quero ver muito drama, às vezes thriller de disparar o coração, às vezes filmes cheios de gente contemplativa e solitária...

Mas a verdade é que sempre arranjo um tempinho pra rever esses:

1) O amor não tira férias (Nancy Meyers, 2006)

Até citar esse filme no meu perfil ali na lateral do blog eu cito. Esse cai naquela categoria das comédias românticas leves e felizes, e é tão, tão amor. São dois romances paralelos nas férias de Natal/Ano Novo: uma em Los Angeles, a outra numa cidadezinha nos arredores de Londres. E eu adoro as duas. Mas o que eu mais amo é a história de amizade que surge entre a personagem da Kate Winslet e o do Eli Wallach (RIP): uma jovem mulher vivendo um amor não-correspondido e um senhor idoso roteirista de cinema. Os dois ensinam lições maravilhosas um ao outro e é tão bacana, tão bonito! Pra completar a coisa toda tem: Inglaterra no inverno, Jude Law, filhinhas fofas, trilha sonora do Hans Zimmer, personagem que compõe trilhas sonoras pro cinema, Natal... Revejo todo fim de ano.

2) Quase famosos (Cameron Crowe, 2000)

Provavelmente meu filme favorito do Cameron Crowe, Quase famosos é o tipo de história que eu gostaria de ter vivido, ao menos em partes. Quer dizer, o protagonista é um garoto de quinze anos que sai na estrada junto a uma banda em ascensão pra escrever um perfil dela pra Rolling Stone. Claro que a coisa não é só alegria, mas se eu jornalista fosse (e eu bem que tentei, quem lembra?), amaria fazer esse tipo de coisa. É um filme bem legal com muita música, muita estrada, muito amor à música, muitos bons diálogos e uma atmosfera bacana. Confesso que já teria comprado esse DVD há séculos se ele não tivesse sido lançado no Brasil com aquela capa horrorosa ao invés dessa com os óculos escuros.

3) Sociedade dos poetas mortos (Peter Weir, 1989)

Eu gosto dessas histórias sobre professores inspiradores que chegam numa escola pra mudar a vida dos seus alunos porque eu acho que muitas vezes é isso que nossos professores fazem. Talvez não algo tão dramático quanto revolucionar nossas vidas, mas pelo menos ajudar a abrir nossa mente e fazer com que nos tornemos pessoas melhores. Acho esse filme muito interessante por trazer toda essa exaltação às palavras, à poesia (eu quase não leio poesia por prazer, mas estudo Letras e sei muito bem o quanto é comum que “medicina, direito, negócios, engenharia”, que de fato são importantes e necessárias pro mundo, sejam muito mais valorizadas do que a arte, do que as palavras, que são coisas tão essenciais pra mim). E, é claro, também é bacana por exaltar também o pensamento independente, a vontade de pensar sobre as coisas, o não querer se resignar às “vidas de desespero silencioso”. Tem momentos bem pesados e bem tristes, mas a verdade é que sempre termino de rever pensando “que filme incrível” e emocionada por motivos de: “O Captain! My Captain!”

4) Orgulho e preconceito (Joe Wright, 2005)

Sou super fã do Joe Wright, que sempre faz filmes visualmente interessantes e bonitos, mesmo aqueles que não são muito meu tipo de coisa. Acho que Desejo e reparação é um filme bem melhor do que O&P, mas porque ele é muito doloroso, revejo bem menos do que esse. É verdade que muitos estudiosos/fãs de Jane Austen não gostam dessa adaptação, mas eu admiro bastante. Gosto do tom mais jovem da narrativa, acho a interpretação da Keira fantástica e gosto da leitura que esse filme faz do Darcy. Além de tudo isso, é um filme de encher os olhos, tem aqueles planos longos lindos, a trilha maravilhosa do Dario Marianelli... E é aquele romance que todo mundo ama.

5) Across the universe (Julie Taymor, 2007)

Eu adoro esse musical, já que ele traz ótimas interpretações de músicas que eu adoro também. Quer dizer, é um musical com canções dos Beatles! Não sou super fã da banda nem nada, tenho uma preguiça absurda dos fãs “real music!!!” que existem por aí hoje em dia, mas gosto da música deles e gostei de como foram inseridas aqui. Os números musicais são ótimos e a historinha de fundo, apesar de não ser nada de outro mundo, é bem legal também, como costumam ser essas narrativas que falam dos acontecimentos dos anos sessenta/setenta nos Estados Unidos.

6) Legalmente loira (Robert Luketic, 2001)

Quando assisti a esse filme pela primeira vez, não estava levando muito a sério. Mas a verdade é que acho uma comédia fantástica. Nada me deixa mais contente do que ter uma protagonista patricinha, loira, membro de uma irmandade, que gosta de festa, de rosa, de passear com o chihuahua... Mas que é, sim, inteligente, autoconfiante e uma pessoa genuinamente ótima. Quebrando todos os estereótipos. O filme também não deixa de chamar atenção sobre todas as pessoas que julgam a Elle Woods justamente por ela ser a patricinha loira etc. E faz aquela oposição comum entre a patricinha e a menina estudiosa e “desarrumada”... só pra acabar com esse estereótipo também. E a resolução do caso é ótima! Lembro que esse filme até me deixou com uma pontinha de vontade de cursar direito, mas eu nunca seria Elle Woods e deixei pra lá.

7) Tudo acontece em Elizabethtown (Cameron Crowe, 2005)

Cameron Crowe é amor, gente. Eu acho tão esquisito que esse filme tenha sido tão mal recebido porque acho tão fantástico e faço questão de rever sempre que ligo a televisão e ele está passando. Porque é uma boa história, tem família, tem romance, tem fracasso e volta por cima mas sem ser superação inspiradora, é verdadeira e com sentimento. Eu sou simplesmente fascinada pela road trip que acontece nos minutos finais do filme e meu sonho é que um dia o mapa feito pro protagonista realiza-la seja publicado pra gente poder fazer a mesma viagem. Sério. A trilha sonora é ótima e eu sempre ouço no youtube. E tem passagens maravilhosas. Acho que uma das frases que eu mais amo nesse filme e que tenho vontade de tatuar na pele pra levar comigo é “sadness is easier because it’s surrender”. Ou o monólogo no final.

8) Penelope (Mark Palansky, 2006)

Filme amorzinho, simplesinho e sem grandes pretensões que brinca com os contos de fadas de um jeito bem legal. É tudo meio exagerado, mas contos de fadas são assim, não são? O aprendizado da Penelope é super legal de acompanhar e amo como (spoiler) é ela quem quebra a própria maldição e é quem realmente precisa se aceitar pra que isso aconteça. Acho que passa uma mensagem bem legal (mesmo que clichê) sobre se aceitar e gostar de si mesmo – que nunca é demais. A Christina Ricci está ótima. É tudo colorido e bonito. É o filme onde James McAvoy (celebrity crush eterna da pessoa que vos fala) está mais amor no mundo. Toca Hoppípolla nos créditos finais. Sei lá, não tem como não amar.

Tem vários outros filmes que caberiam nessa lista, acredito: Questão de tempo só não está ali porque ainda não tive a oportunidade de rever, mas já sei que vou fazer isso sempre; Feitiço do tempo, Curtindo a vida adoidado, Enquanto você dormia, Harry e Sally, Meia-noite em Paris... Tudo entra aí. Como deu pra perceber, pra eu rever toda hora o filme tem que levantar o espírito mesmo. Nada de muito forte pois não sei lidar com repetição dessas experiências, mesmo que valham a pena.

Gostaria muito que vocês me contassem quais são os filmes que vocês amam rever. Quem sabe assim eu não descubro mais histórias pra incluir nessa lista?